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Confronto, sem parar!

Algumas pessoas já me falavam que o show do Confronto era uma coisa memorável. Tive que esperar a banda voltar da Europa para ver isso de perto. Viajei 2h30 do extremo sul ao extremo leste da capital paulista e pude encher meus olhos com um show nervoso, realizado no Luar Rock Bar, cheio de energia, e com a galera agitando selvagemente e cantando todas as músicas. É, era verdade mesmo.
Esse foi o primeiro show após a quarta turnê européia e o reencontro com o público brasileiro, que eles afirmam ser o melhor.
Antes de começar o show, chamei os Felipes da banda (o Chehuan e o Ribeiro) para falar um pouquinho de como foi essa experiência, a recepção do Sanctuarium pelos europeus e um pouquinho do que vem por aí.

por Márcio Sno
Fotos por Maurício Santana

O que essa turnê na Europa teve de diferente das outras?
Felipe Chehuan: Começando pelo clima, que da outra vez que a gente foi era outono e a chance de tocar com uma banda americana [Die Young] em turnê o tempo inteiro. Ter o público que buscava mais o som dos americanos e o público que buscava o som do Confronto e isso no final foi bom pra gente porque os shows estavam cheios. Essa foi a principal diferença.
Felipe Ribeiro: A nossa primeira turnê a gente ficou um mês, a duas turnês que a gente tinha feito depois, além de a gente ter ido sozinhos, ficamos dois meses e meio, três meses. Dessa vez a gente fez um mês e tocamos em lugares bem legais.

Qual o balanço geral dessa turnê?
FR: Muito bom! Muitos contatos, coisas que no Brasil seriam impossíveis fazer, só estando lá mesmo para resolver. Fizemos muitos contatos, convites. Fizemos muitos shows bons, tocamos em vários locais onde a gente não tinha tocado ainda e algumas coisas que ainda não podemos adiantar, que não é oficial, mas acredito que pra janeiro ou fevereiro vai ter notícias boas dessa turnê na Europa.

As bandas do Brasil que vão tocar na Europa, geralmente vivem de favores na questão de lugares para dormir, comer etc. Com vocês foi da mesma forma? Como funciona isso?
FC: Tem um pouco disso que você falou, mas não é bem isso não. Não só as bandas do Brasil que ficam de favor. No geral, a Europa te dá um acolhimento muito maior do que em outros lugares. Coisa que nos Estados Unidos não acontece e em outros não acontecem. Na Europa, geralmente, já está incluído você receber um alojamento, receber comida, café da manhã…
FR: Falando por nós, a gente já fez a quarta turnê européia, tem uma agência lá que monta a nossa turnê, que cuida de tudo, então quando a gente já vai, a gente já tem uma van pra fazer a turnê, já sabe que vai ter alimentação, onde vamos ficar, tem uns clubes que já têm alojamento para as bandas, a gente fica em hotel, casa de promotor [de shows]. A última preocupação que a gente tem é essa.
FC: Por exemplo, a gente é vegetariano, vegan, e nem se preocupa quanto a isso, porque todo mundo já sabe que a nossa comida já está lá separado.

Houve algum fato interessante nessa turnê?
A gente encontrou o Redson do Cólera, ele foi num show da gente na Holanda. Depois que tocamos, fui falar com o ele e perguntei: “agora me fala, como foi essa parada de vir pra Europa por carta?” E ele me contou tudo, dessa loucura… Também encontramos o pessoal do Paura, lá na Polônia, eles estavam em turnê por lá também. É muito bom saber que as bandas brasileiras estão tocando bastante por lá.

Vocês acabaram de chegar da Europa e já encaixaram um restinho de turnê no Brasil. Vocês não descansam? Onde é que vão tocar até o final do ano?
FC: No Natal e Ano Novo a gente vai descansar com a família, e em janeiro a gente já começa de novo. Não pára, a banda não pára. Esse ano tem o show de hoje [21/11, no Luar Rock Bar, em São Paulo], na semana que vem a gente toca com o Dead Fish em Belo Horizonte e de lá vamos para o Espírito Santo tocar com o Mukeka di Rato.

Alguém se perdeu lá na Europa?
FR: Dessa vez não! É que dessa vez que a gente foi, a gente teve pouco tempo pra sair, pra conhecer as coisas e é frio, muito frio. E quatro horas da tarde já está assim [escuro]. E rotina foi meio assim: van e foi para outro lugar, dormiu, acordou, saiu de novo… É muito rápido, não deu pra se perder!

Do disco Sanctuarium, quantas cópias oficiais já foram distribuídas?
FC: Isso aí é com a gravadora, a gente não sabe. No Brasil a gente já sabe que a primeira prensagem já foi e na Europa tem os vinis e a gente está em contato também com os lançamentos e está legal. A gente está numa época em que CD já não vende muito, mas a internet facilita um alcance muito maior. A música hoje chega em todo o canto.
FR: Hoje os CDs que a gente tem são os que a gente tem na mão, o restante acabou. Os caras às vezes perguntam: “como assim, acabou?”. Não sei, estamos dando sorte e estamos vendendo.

Como o novo disco foi recebido pelos europeus?
FC: Saiu em vinil, a gente ficou surpreso quando pegou o vinil que saiu na Itália, já tínhamos 15 dias de turnê quando a gente pegou o vinil. Foi um selo italiano junto com um russo que lançaram. E o pessoal que lançou na Itália que entregou nossa quota. A recepção está a melhor do mundo, já começando pelo Myspace onde upamos duas músicas, que teve uma resposta européia muito boa, e chegou na Itália e como no ano passado, os caras cantando as duas músicas em português, “Santuário das almas” e “Abolição”, logo de cara, todo mundo estava cantando, isso foi muito legal. Parecia que estávamos aqui, no Brasil. E no final da turnê, os americanos já estavam cantando em português! Tem até foto na internet dos caras cantando “Santuário das almas”. Foi foda!

O que falta para o Confronto conquistar ainda?
FC: Se eu parasse agora, eu já estaria muito feliz por tudo que a gente conquistou, mas isso não é a nossa meta, pois estamos numa sintonia muito legal, já estamos completando 10 anos de banda no mês que vem e a gente ainda quer muita coisa, a gente ainda vai conseguir muita coisa. Se tudo acontecer do jeito que as coisas estão vindo, se a metade das coisas acontecerem já vai ser muito bom.
FR: A verdade, que a gente é uma banda essencialmente vinda da Baixada Fluminense, lá do Rio de Janeiro, então pra gente que é uma banda que tem 10 anos e já conquistou 4 turnês européias, a quantidade de gente que a gente conhece, a quantidade de lugares que já tocamos, ter vendido todos esses CDs até hoje, acho que é uma coisa muito, mas muito significativa pra gente. Só que a gente está numa mentalidade de que 10 anos é o começo, estamos começando. Pois se você for ver, o Sanctuarium é o segundo CD, pois o primeiro é um EP com 6 músicas, então tem muito pneu pra queimar ainda, muita estrada pra pegar e muito rock and roll ainda!

Para conhecer mais:
http://www.myspace.com/confronto
http://www.fotolog.com/x_confronto_x
http://www.diariodatour.wordpress.com

Deise Santos
Carioca, jornalista, produtora cultural, baixista e guia de turismo. Deise Santos é apaixonada por música - principalmente rock e suas vertentes -, literatura, fotografia, cinema, além de colecionadora - contida - de vinis. Pé no chão e cabeça nas nuvens definem a inquietude de quem está sempre querendo viajar, conhecer pessoas e culturas diferentes. Idealizadora do Revoluta desde seus ensaios com zines, blogs e informativos, a jornalista tem como característica a persistência em projetos que resolve abraçar.
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