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Voodoo Stompers: sangue novo no psychobilly nacional

Voodoo Stompers é uma jovem banda Psychobilly, que em pouco tempo de estrada vem conquistando seu espaço dentro da cena com seu som clássico, influenciado pelos grandes nomes dos anos ’80.
Confira na entrevista um pouco mais sobre a banda, e procure ouvir eles, você com certeza não vai se decepcionar!

Por Márcio*

Vamos começar com a pergunta clássica: Quando surgiu a banda? É a mesma formação até hoje?
Bom, é uma história um pouco longa. Léo e o Adriano sempre tocaram juntos, ficamos um bom tempo procurando baixista para tocar conosco, chegamos a convidar o Marcial (na época em que ele tocava no Haunted Boys), mas ele já estava envolvido nesse projeto e foi quando conhecemos o Biffs em um show do Chibuku que teve em São Paulo, estávamos jogando sinuca e o assunto surgiu, trocamos contatos e começamos a ensaiar. No final de 2007, o Biffs saiu da banda por motivos de divergências de gostos, foi quando se juntou a nós o Marcial (aquele mesmo que recusou há 3 anos risos…) e hoje a formação é: Léo (guitarra / vocal), Adriano (bateria) e Marcial (Baixo acústico).

Gravaram algo? Ainda está disponível?
Em Setembro de 2005 gravamos uma demo intitulada “Mad Rock” com 6 músicas, de lá pra cá estamos só trabalhando em músicas novas, e juntando dinheiro para uma gravação oficial. Chegamos a gravar algumas músicas mais novas que estão disponíveis no nosso myspace, mas a gravação não nos agradou por completo e estamos trabalhando em uma nova gravação.

E porque optaram em tocar Psychobilly?
Bom todos nós gostamos de diversas coisas diferentes, que variam de Jazz, Blues, e principalmente o Rockabilly e o Punk Rock, passando também por Hardcore e Thrash Metal. Acreditamos que no Psychobilly é capaz de misturar vários desses estilos sem perder a característica do som, embora achemos que Psychobilly seja mais um desses estilos que gostamos e nos influencia do que termos esse rótulo mesmo.

Vocês acham que esse estilo tem espaço dentro da nossa cena underground como os outros estilos (punk, metal, hc…) ou as dificuldades são maiores?
Acreditamos que sim, embora existam pessoas que “torcem o nariz” quando sabem que se trata de uma banda de Psychobilly ou que tem influências… Principalmente em algumas casas de shows, porém na maioria das vezes que tocamos para um público diferente, o som é bem recebido e muitas vezes recebemos elogios de pessoas que não fazem parte da cena.

O Psychobilly vem crescendo e isso é fato. Desde que surgiu nos anos 80 por aqui, a cena nunca foi tão forte como agora. A que vocês atribuem isso? E o que falta para ela se consolidar de vez?
Com certeza aos festivais que são realizados todos os anos pelo país, principalmente em Curitiba, São Paulo e Londrina, onde as principais bandas do estilo já tocaram e onde a maior parte das bandas do Brasil já tocou. Além destes festivais serem muito bem divulgados na mídia, a qualidade das bandas e da organização está se superando à cada ano, tendo público de todos os estilos e lugares do país, e até do exterior. Para que se consolide de vez, os festivais devem continuar no mesmo nível ou para melhor. E é uma questão de tempo para que isso aconteça. A internet também tem ajudado bastante: orkut, fórum psychobilly, myspace, blogs, enfim… Hoje basta procurar “Psychobilly” no google para se interar do que esta rolando.

Dentro do Psychobilly existem várias “vertentes” (mais pro lado rockabilly, punk, metal, ska…), onde o Voodoo Stompers se enquadra? Quais as influências de vocês?
Com certeza estamos mais para o Rockabilly do que para o Hardcore ou Metal apesar de serem fortes influências para nós assim como Jazz, Blues e Country. Nossas maiores influências são o Rockabilly e o Punk Rock. Meteors, Sharks, ES Feiv, Eddie Cochran, Stray Cats, Morrissey, T.S.O.L e uma porrada mais… Imaginem uma mistura de um pouco disso tudo e ouça nosso som (risos).

E essa variedade de vertentes dentro do Psycho é algo saudável ou acaba deturpando o estilo? É necessário ter esses “crossovers” para o Psycho não ficar estagnado?
Acreditamos ser saudável sim, para que existam bandas “para todos os gostos”, em um festival de Psychobilly hoje em dia, dificilmente você assistirá shows de bandas parecidas ou que soem parecidas. Não achamos “necessário”, mas ajuda para que cada um encontre a vertente que mais lhe agrada dentro do estilo, apesar de muitas vezes confundir o público e existirem milhares de nomes para essas vertentes como: Power Psycho, Neo-Rockabilly, Traditional Psychobilly, Psycho Metal, Voodoo Rockabilly e etc… Por outro lado uma pessoa “leiga” que assiste o show de uma banda que é rotulada como Psychobilly, pode sair entendendo que aquele tipo de música é o Psychobilly e que todas as bandas soam assim ou que sejam parecidas… O que acaba se tornando um grande equívoco. As pessoas tem de conhecer cada vez mais bandas do estilo para que formem uma opinião própria e encontre aquela mistura de som que lhe agrada. Isso vale pra qualquer estilo, sempre haverá vertentes!

Vocês já tiveram a honra de tocarem juntos com grandes nomes do Psychobilly que vieram para o Brasil como The Meteors, Batmobile, Mad Sin e outros.Como foi essa experiência? Qual foi a mais interessante pra banda?
Ficamos mais ansiosos para ver os shows do que para tocar mesmo (risos). Mas com certeza foram experiências incríveis que no começo não imaginávamos que pudesse acontecer! Principalmente por termos um público novo, que não estavam ali para nos ver em especial, mas acabaram conhecendo nosso som. Acreditamos que a mais interessante foi com o The Meteors por se tratar de uma das bandas preferidas e que criaram um estilo que nos influencia tanto. Batmobile também foi sem palavras!

E com quais bandas vocês gostariam de tocarem juntos um dia (vale até bandas que já acabaram…rs ).
Se formos citarmos bandas e artistas que já acabaram ou morreram encheríamos esta página, mas em especial gostaríamos de tocar com os The Quakes, Guana Batz e com certeza o Stray Cats ou o projeto solo do Brian Setzer, e tocarmos com o The Meteors ou Batmobile de novo seria um imenso prazer.

E os temas abordados nas letras? São os tópicos geralmente abordados no estilo ou tem outras inspirações?
Tentamos diversificar um pouco, mas resumindo, os temas que abordamos são horror, quadrinhos, filmes, histórias estranhas, como a letra da nossa música nova ‘Ghost Car’, que fala sobre uma história real vivida pelo Marcial! Procuramos colocar em nossas letras o que achamos conveniente, sem nos preocupar se vai ter “cara de Psychobilly”… Um bom exemplo é música “Pretty Girl” que o Léo fez para a namorada dele, que não é uma letra do mal e que teve uma ótima recepção! Outra é a “When I Look Into The Mirror” que é uma história bem legal sobre um cara que jura não ter matado a namorada! E basicamente é isso, às vezes alguém fica vivo e às vezes alguém morre! (risos).

Qual é o equipamento da banda (guitarra, baixo, bateria, amplificador, pedais…), estão felizes ou precisam investir ainda mais?
Léo:Eu tenho uma Ibanez Artcore AFS 75T, geralmente uso cordas D’ADDARIO EXL110 – light .010-.046, cabos Santo Ângelo e Planet Waves, meus pedais são: Boss CS-3 Compressor/Sustainer, Boss EQ-7 Equalizer, Boss DD-3 Digital Delay e um Reverb (Corned Beef) da Ibanez. Tenho um Amplificador Marshall AVT 50 – Valvestate que uso em apenas alguns shows, na maioria são amplificadores da própria casa.
Marcial: Tenho um baixo Palatino com cordas LaBella Supernil. E uso um captador feito pelo Sonny (baixista do Crazy Legs ), segura, mas ainda sonho em conseguir um K&K…
Adriano: Eu tenho um kit de batera Peace com ferragens da Bauer – Pedal de bumbo simples Mapex – Peles Remo – Caixa Bauer Maple de 14” – Pratos Orion, Ride 20”, Chimbal 14”, Crash 16” e outro Crash 16” de umasérie inferior. Normalmente baquetas Liverpool B5.

E os planos para o futuro? Quando sai o primeiro disco?
Bom, estamos fazendo shows para levantar grana para a gravação do primeiro disco oficial. Finalmente! Assim que lançarmos o disco, investiremos mais em divulgação, merchandising e shows. Enquanto isso vamos trabalhar em músicas novas para diversificar os shows.

Obrigado pela entrevista! Deixem um recado para os leitores / internautas!
Gostaríamos de agradecer a você, Márcio, pela entrevista, que por sinal muito bacana de responder, com perguntas diferentes do que estamos acostumados a ler! A todos aqueles que de alguma forma nos ajudam, seja nos shows ou em um simples gesto de sinceridade, elogiando ou criticando nosso trabalho! Isso é bem motivador.

Mais uma questão! Quais são os 5 discos que vocês mais estão ouvindo no momento?
Léo:
1 – Big Sandy & His Fly-Rite Boys – “On The Go”
2 – T.S.O.L. – “Change Today?”
3 – Desperate Rock’n’Roll – “Coletâneas Vol.1 à Vol.19”
4 – Di Maggio Brothers – “Di Maggio Brothers”
5 – Chet Atkins – “Guitar Legend (RCA Years)”

Marcial
1 – T.S.O.L. – “Change Today?”
2 – The Meteors – “Meteors Vs The World”
3 – Bad Religion – “The Process of Belief”
4 – Guana Batz – “Loan Sharks”
5 – Frenzy – “The is the Fire”

Adriano:
1 – Slayer – Divine Intervention
2 – Rusty and The Dragstrip Trio – “I Ain’t Ready”
3 – Questions – “Fight For What You Belive”
4 – Street Dogs – “Back To The World”
5 – Gorilla – “Flamenco Death”

Mais infos no Myspace da banda

* Márcio edita o Alternar Zine e é um dos donos da Loja Combat Rock.

Deise Santos

Carioca, jornalista, produtora cultural, baixista e guia de turismo.
Deise Santos é apaixonada por música – principalmente rock e suas vertentes -, literatura, fotografia, cinema, além de colecionadora – contida – de vinis.
Pé no chão e cabeça nas nuvens definem a inquietude de quem está sempre querendo viajar, conhecer pessoas e culturas diferentes.
Idealizadora do Revoluta desde seus ensaios com zines, blogs e informativos, a jornalista tem como característica a persistência em projetos que resolve abraçar.

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