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The Quakes, o pilar do psycho norte-americano

O Brasil entrou definitivamente na rota dos grandes nomes da cena Psychobilly mundial. Muitas bandas importantes estiveram aqui nos últimos anos como The MeteorsDemented Are GoBatmobileMad Sin e outros. The Quakes é a principal e mais influente banda na história do Psycho americano, e nessa entrevista o vocalista/guitarrista Paul Roman fala um pouco da sua longa carreira, sua visão do Psycho, estórias interessantes vividas ao longo dos anos, último álbum e suas expectativas em tocar aqui pela primeira vez!

Por Márcio * (Combat Rock Discos )
*colaborou: Paula Harumi

“Negative Charge”, o último álbum, parece um “ best of ” da carreira da banda, com músicas que lembram um pouco cada álbum anterior. Você concorda com isso?
Sim, algumas músicas com certeza são assim. Como “ Ready For a War ”, que poderia estar em “ Voice of America “ e “ Straight to Valhalla ”, que foi escrita logo após o lançamento do primeiro álbum. Eu tenho meu estilo e acho que isso reflete nas minhas músicas.

Você ficou totalmente satisfeito com esse disco?
Eu nunca estou satisfeito (risos). As músicas nunca saem do jeito que você pensou. Algumas ficam melhores, outras nem tanto. Eu tenho um orçamento muito limitado, então eu tendo a deixar as coisas assim do que ter que consertar ou regravar.

E também tem algumas participações bem especiais nele…
Eu chamei Wasted James e Jeff Roffredo, do Tiger Army, em “ Straight to Valhalla ”. Kristian e Peter Sandorff, do The Nekromantix, fizeram excelentes backing vocals na mesma música. Vic Victor, do The Koffin Kats, fez o backing em “ Seven Seas Alone ”; Nick Feratu, do The Limit Club, fez o backing em “ Time Wasters”. Eu gosto dessas colaborações e estou fazendo mais disso agora. Tenho vários projetos em andamento.

Como foi a tournê do ano passado na costa leste/oeste dos EUA para divulgar o álbum? Esse ano vocês vão para a Europa para promovê-lo?
Correu muito bem. Vamos fazer muitos shows na Europa esse ano.

Todo catálogo da banda está disponível no seu selo?
Não. Os dois primeiros discos do Quakes estão fora de catálogo e só disponíveis para download. Todos os álbuns da Orrexx Records (4) estão a venda em cd e o
New Generation está no itunes.

Lançar tudo pelo seu selo é um meio de ter controle da sua arte?
Sim, hoje em dia faz mais sentido um artista desse nível fazer isso por conta própria e eu também sou um pouco controlador quando o assunto é o Quakes. (risos)

Já li umas entrevistas suas em que disse que teve problemas com selos no passado, desde falta de distribuição, falta de apoio etc. Assinaria com um selo novamente, tipo Hellcat Records?
Provavelmente eu nunca assinaria com uma gravadora hoje. Eu tenho curiosidade em saber como uma gravadora promoveria a banda… Nós não somos exatamente uma banda de Psychobilly e nem de Rockabilly. Do ponto de vista do selo, é muito mais fácil promover uma banda que já se encaixa em um gênero específico. Eu nem sei como descrever nosso som.

Uma banda americana na cena européia deve ter chamado muito a atenção das pessoas nos anos ‘80. Isso facilitou as coisas?
Ajudou como um fator curioso porque as pessoas queriam ver como seria o Psychobilly de uma banda americana, já que não tinha nenhuma.

Segundo a letra de “Stranbeded In The Streets”, parece que não foi muito fácil aqueles tempos em Londres, sem dinheiro e apoio…
Essa música é sobre a época em que eu estava em Londres para fazer uma gravação solo (1989). Nessa viagem específica, eu acabei tocando com o Demented Are Go numa pequena turnê depois que meu acordo não deu certo.

A banda gravou excelentes discos, tocou em todos os grandes festivais europeus, lado a lado com as maiores bandas da época. Como foi tocar no Klub Foot e nos grandes Psycho Fests pela Europa?
Foi e ainda é fantástico! Vocês tem que lembrar que nós somos grandes fãs de música, então conseguir tocar com as bandas top da cena é muito bom. Todo mundo se dá bem. Acho que é um pouco como uma fraternidade porque todos estão lá há mais de vinte anos.

Quais bandas dos anos 80 você curtia? Alguma realmente chamava sua atenção mais que as outras?
A maioria delas – naquele tempo as bandas tinham mais BILLY no PSYCHO. Com certeza Restless e Frenzy são minhas favoritas.

Na volta dos Stray Cats aos palcos, ainda no final dos anos 80, vocês fizeram algum contato com eles para tentar abrir os shows, assim como os Guana Batz conseguiram?
Eu estava naquele show de Londres ( Stray Cats, Guana batz e Midniters ) sentado do lado dos pais do Pip. Gavin Cochrane, que fez as fotos do primeiro disco do Stray Cats, me deu algumas entradas e passes para o backstage. Foi na turnê do Blast off, em 1990. Acho que o Stray Cats não colocaria a gente para abrir os shows. Eu sei que os Batz e o Midniters tiveram que pagar para isso.

O que os Stray Cats acharam da homenagem que vocês fizeram na capa do primeiro disco?
Creio que eles acharam engraçado – Slim Jim Phantom disse que pendurou na parede da casa dele. Mas eu não imaginava que eles fossem gostar da música. (risos)

O Stray Cats foi a principal inspiração para a carreira do Quakes? ( Sair dos U.S.A para tentar a sorte na Inglaterra, musicalmente, visual, etc).
Sim, mas antes vocês tem que entender que ninguém sabia o que era Rockabilly e nós tocávamos Psychobilly. Não tinha nenhuma outra banda nos EUA fazendo o que fazíamos naquela época. Nós sabíamos que tinha uma grande cena na Europa porque eu fui para Londres em 1985 e 86 para tentar e começar uma banda.

As letras do Quakes sempre fugiram dos clichês do estilo, nada de zumbis, vampiros ou mortos-vivos, por exemplo…
Não, tem muitas músicas assim no primeiro disco – foi em 1988 e esses temas já era velhos e clichês. Dito isso, foi uma das coisas que atraíram a gente para a cena porque achávamos legal. Foi aí que eu descobri que Psychobilly é um som e não importa sobre o que você está cantando ou o quão grande é seu topete. Tem a ver com o estilo, o som. Daquela época pra cá, minhas idéias amadureceram e meu vocabulário também (risos).

Vocês foram uma das primeiras bandas a fazer versões para clássicos dos anos 80 da música pop, de bandas como Depeche Mode e Echo And The Bunnymen. Hoje isso virou moda e muita gente anda fazendo. Essa é uma das razões de você ter parado de gravar músicas no estilo?
Esse é exatamente o motivo. Nós fomos criticados por fazer isso – os primeiros tomam as flechas. Pode parecer estúpido mais eu olho para os lados, vejo o que meus amigos estão fazendo ou o que eles poderiam estar fazendo e eu corro para o outro lado. Não quero ser comparado com nenhum deles apesar de gostar do que eles fazem. Eu cresci ouvindo esse tipo de som e sempre tentava misturar Rockabilly com a New Wave.

O que você pensa do livre comércio de músicas pela internet, downloads de discos na íntegra e tal?
Eu não estou feliz com isso. Está dando prejuízo e afeta as pequenas gravadoras que não vendem tanto para começar.

Vocês tem shows marcado para o Brasil em julho. Quais expectativas para eles?
Bem, eu espero ter muitas garotas gritando esperando a gente no aeroporto (risos).

Depois de tantas turnês pelo mundo, é sempre uma sensação e motivação diferente estar em um país pela primeira vez?
Com certeza – sempre é legal ir para um lugar pela primeira vez. Estou ansioso, teremos uns dias a mais para conhecer a cultura local.

Paul, acha que falta realizar alguma coisa ainda com o Quakes? Quais os planos para um futuro próximo?
Sim! O que falta é o dinheiro! Cadê meu dinheiro? (risos). Meu plano para o futuro é continuar o que eu faço. Estou realmente vivendo meu sonho (sem o dinheiro e fama), mas esse é o caminho que eu escolhi seguir e estou feliz por conseguir ir para lugares como o Brasil e tocar minha música para os fãs daí.

Obrigado pela entrevista! Deixe um recado para os fãs brasileiros do Quakes!
Estamos ansiosos para tocar para vocês – a gente se vê em breve!

Continuem firmes!

www.thequakes.com
www.myspace.com/thequakes

Confira a entrevista na íntegra no:
“ Rockabilly Psychosis “ webzine

www.rockabillypsycho.blogspot.com

Deise Santos

Carioca, jornalista, produtora cultural, baixista e guia de turismo.
Deise Santos é apaixonada por música – principalmente rock e suas vertentes -, literatura, fotografia, cinema, além de colecionadora – contida – de vinis.
Pé no chão e cabeça nas nuvens definem a inquietude de quem está sempre querendo viajar, conhecer pessoas e culturas diferentes.
Idealizadora do Revoluta desde seus ensaios com zines, blogs e informativos, a jornalista tem como característica a persistência em projetos que resolve abraçar.

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