You are here
Home > Entrevistas > Qual o preço de ser impessoal?

Qual o preço de ser impessoal?

Com quatro anos de estrada e prestes a lançar o segundo álbum, a banda carioca Plastic Fire acaba de disponibilizar para download o single “O preço de ser impessoal”. O Portal Revoluta conversou com o guitarrista Daniel Avelar para saber um pouco mais sobre as expectativas da banda sobre o próximo lançamento e descobre que no hardcore, é difícil ser impessoal.

Por Deise Santos
Foto ao vivo por Veio Escroto
Foto de divulgação por Mauro Pimentel

A banda é um raio-x do “faça você mesmo”, ou trazendo para a linguagem atual, da “correria” que o underground exige para se sobreviver na dita “cena”. Vocês meteram a cara desde o surgimento da banda, lançaram o Existência Parcial por uma cooperativa de selos e agora se preparam para lançar uma nova bolachinha. De onde vem toda essa energia e esse empenho da banda?
Um dos motivos principais que nos leva a ser tão ”ativos” é simples: querer ver as coisas acontecendo aqui no nosso Estado!
A gente antes de ter a banda há uns 5 anos atrás, já íamos aos shows, víamos o que estava acontecendo e com certeza fomos influenciados diretamente por essa galera! Como exemplo posso citar o Panço com a banda Jason e o Valcimar e Rafael com a Ataque Periférico.

Então a postura e o pensamento da banda não é só o de chegar com seus instrumentos, plugá-los e tocar? Para vocês é importante ter esse envolvimento com a cena?
Olha, tocar bastante era uns dos objetivos da banda no início, não que ainda não seja, mas com o passar dos anos, você vai entrando de cabeça nessa merda toda e vê que não é bem assim que funciona! A gente tenta passar a nossa mensagem sim, simples direta e reta, não queremos ”mudar o mundo”(como a resenha do Punknet disse sobre o primeiro CD) nem a cabeça de ninguém, mas sei que podemos contribuir e muito para a digamos ”cena” de hardcore no RJ, mas não se prendendo muito a esses conceitos! E, sinceramente, eu acho que quanto mais você faz por você, mais você faz pela cena!!

Mas vocês tem mantido o pé na estrada desde o lançamento do Existência Parcial. Tocando em São Paulo, Belo Horizonte e outras cidades. E quando não há shows acontecendo, vocês mesmo organizam gigs como o CHC Festival. Vocês acham que essa permanência dos instrumentos plugados em diferentes palcos e o contato com o público influencia na composição das músicas?
Esse ano de 2010 tem sido um ano especial. Estamos tocando em lugares que nunca pensamos em tocar como o Teatro Odisséia, Hangar 110 (SP), Inferno (SP), Matriz (BH), e com bandas que a gente sempre gostou desde de muleque como o Mukeka di Rato (ES), Overlife (SP), Muzzarelas (Campinas)…
O III CHC foi uma coisa mágica para mim, acho difícil eu conseguir reunir tantos amigos de fora do Estado juntos em 2 dias! Fora que são (na minha humildade opnião) as melhores bandas de hardcore mélodico na autalide no Brasil! No caso me refiro ao Rótulo (SE), Hero (SP),Auria (ES), Take of The Halter (SP), Dfront (MG), Medievaz (SP)!
E acho que sim, de tanto tocar em diferentes lugares e conheçer diversas pessoas, culturas e tudo mais, isso acaba de fato influenciando as composições de uma certa forma !
Posso citar como exemplo, o single novo que colocamos para downloand esse mês, ” O Preço de Ser Impessoal” (clique aquipara baixar)!!

Você pode dizer que a banda não quer mudar o mundo nem a cabeça de ninguém, mas o Existência Parcial é um material rico em sacudidelas e funciona meio como um despertador para quem andava esquecido do que o hardcore significa, a começar pela frase: “Ouça com o cerébro, pense com os ouvidos”. Quais bandas fizeram vocês ouvirem com o cerébro e pensar com os ouvidos? Como a Plastic Fire chegou nessa sonoridade e nas composições?
Linda pergunta! Bom, acho que a resposta é fácil!Noção de Nada e Dead Fish!
Sobre o Noção, está sendo meio ”surreal” trabalhar com o Bil nesse CD novo! Até pouco tempo, a gente estava do outro lado lá cantando e pulando que nem maluco nos shows do falecido Noção de Nada, e agora o cara tá do nosso lado, é nosso amigo e tá ajudando( e muito viu!?) para esse segundo trabalho nosso sair!!!
O Dead Fish é uma ”parada” que realmente mudou o modo der ver e agir de muita gente e com a gente não foi diferente! Temos orgulho de ser amigos dos caras, mas em nenhum momento queremos ser o DF, ou soar como eles!
Olha estamos vivendo um momento especial como já disse, estamos para lançar o nosso segundo trabalho, claro que por conta do amadurecimento da banda(e dos integrantes rs) algumas coisas sempre mudam, mais o CD novo(que deve sair novembro/dezembro) virá mais hardcore do que nunca!

Era exatamente o que ia perguntar. A banda se prepara para lançar o novo álbum, com produção de Gabriel “Bil” Zander (Noção de Nada, Zander) e com a degustação que vocês ofereceram, colocando para download o single “O Preço de ser impessoal” dá pra notar que vocês estão mais acelerados. Você acha que isso pode causar estranheza no publico que vocês vem formando no decorrer da trajetória de vocês?
Sobre a gravação, está sendo maravilhoso gravar com o Bil no Superfuzz! Experiência da porra, para guardar para o resto da vida!!
Acho que a galera não vai estranhar não viu! Essa formação que estamos agora(quarteto e com o Felipe faz um 1 ano já) é a melhor da banda até agora! Isso contribiu e muito para a gente crescer musicalmente e todos os nosso amigos (público é uma palavra forte d+ hehehe) notaram isso e agiram de forma natural!
Estamos recebendo muitos elogios sobre a música (mesmo tendo 37 segundos rs). A galera que não conhecia a banda tá vindo procurar mais sobre, o número de downloads até me assustou um pouco, mas é tudo natural, eu acho!
Sobre a banda, a gente vai melhorando com o tempo, é tipo :
”Nascer! Sofrer! Morrer! – Esse é o ciclo!”
”Nascer! Sofrer! Morrer! – Esse é o ciclo!”

Daniel, deixo o espaço pra você falar o que quiser. O espaço é seu!
Deise, Obrigado força de sempre, quero te ver no rock por + 100 anos ainda ok?Obrigado mesmo de coração!!!
Não confundam : o que parece hardcore com o que é hardcore!!

Para saber mais sobre a banda: http://www.meadiciona.com/plasticfire

Para baixar o single, clique aqui!

 

Deise Santos

Carioca, jornalista, produtora cultural, baixista e guia de turismo.
Deise Santos é apaixonada por música – principalmente rock e suas vertentes -, literatura, fotografia, cinema, além de colecionadora – contida – de vinis.
Pé no chão e cabeça nas nuvens definem a inquietude de quem está sempre querendo viajar, conhecer pessoas e culturas diferentes.
Idealizadora do Revoluta desde seus ensaios com zines, blogs e informativos, a jornalista tem como característica a persistência em projetos que resolve abraçar.

Top