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Nekroman fala sobre Nekromantix

Há pouco mais de duas semanas do início do Psycho Carnival, Kim Nekroman – fundador e líder da banda dinamarquesa Nekromantix, sem dúvida umas das grandes bandas da história do Psychobilly fala sobre a trajetória da banda e a conquista de um espaço na cena mundial com excelentes discos lançados, inclusive alguns pelo selo americano Hellcat/Epitaph Records. Nekroman fala também de como é vida nos EUA e obviamente as expectativas para o primeiro show no Brasil, que vai rolar no festival Psycho Carnival!

Por Márcio*


A mudança para os Estados Unidos facilitou as coisas para vocês como, por exemplo, levar a banda de uma forma mais profissional ainda?
Bem , a principal razão para a mudança foi que a maior parte da turnê foi nos EUA , então fazia sentido irmos para aonde tudo estava acontecendo. Isso não acarretou grandes mudanças/efeitos profissionalmente falando não.

Estar em um selo como a Hellcat Records deve ser ótimo imagino, a banda deve ter todo suporte que precisa. Como foi feito o contato com eles?
Hellcat é um grande selo, mas acredito que as pessoas tem uma idéia bem distorcida em relação a como as coisas realmente são ali. O selo lança álbuns e os promove. Eles não estão envolvidos em nada mais do que isso e turnês são o que as bandas passam mais tempo ocupadas fazendo.
Claro que estar num “grande” selo underground dá à banda o benefício da exposição e de alcance a uma audiência que não conseguiria atingir por si mesma. O Tim Armstrong do Rancid é responsável em fechar contratos com artistas para a Hellcat , ele já é fã do Nekromantix há muito tempo e quando estávamos procurando por um selo ele nos ofereceu um acordo.

Existe alguma possibilidade dos antigos discos serem relançados pela Hellcat, como o “Hellbound” e o “Curse Of The Coffin”?
“Brought Back To Life” já foi relançado pela Hellcat e atualmente planejamos relançar “Demons Are A Girls Best Friend”.

Vocês tem excursionado com freqüência com bandas populares pelos EUA como Rancid, Rob Zombie e Reverend Horton Heat. Isso deve ter ajudado também na conquista de novos fãs, mostrar o som do Nekromantix para um novo público…
Sim , de fato, novamente é tudo um lance de divulgação e apoio das turnês, é sempre bom ganhar mais fãs e audiência!

Com a popularidade do Psychobilly nos EUA atualmente, você acredita que o estilo saiu do underground para algo mais popular/comercial?
Psychobilly continua sendo bem underground. Pode até parecer popular nos EUA olhando de fora mais considerando o tamanho do país não é tão grande quanto em qualquer outro lugar. Isso acontece mais no sul da Califórnia e em algumas outras cidades dos EUA. Psychobilly está a anos-luz do mainstream e do sucesso comercial.

Você tem idéia porque desse interesse dos americanos por Psychobilly, depois de tanto tempo?
Bem, eu acredito que tem a ver com a cultura Rockabilly/Greaser/Hotrod que teve um grande boom no começo dos anos 2000. Psychobilly foi um segmento natural disso. Psycho é um fenômeno europeu e não tinha espaço nos EUA até o começo de 2000, quando os jovens estavam procurando por algo a mais do que só o Rockabilly ou só Punk.

Por outro lado tem os críticos, que acham que o Psycho está perdendo as raízes e as características. E que a popularidade acaba massificando demais, com o perigo de ficar apenas comercial e sem conteúdo, como já aconteceu com o punk e metal. Concorda com isso?
Não,  eu discordo e esses “críticos” não tem absolutamente nenhuma idéia do que estão falando. O Psychobilly está beirando seus 30 anos, então é óbvio que haja mudanças e envolvimentos. Eu sempre pensei no Psycho como uma subcultura , ouvindo uma variedade de segmentos “Billy” , mais do que um estilo de música limitado. É assim. Da mesma forma que nos anos 80 ou no começo dos 90. Foi só depois que começamos a ver o purismo e as críticas de internet. Regras são para pessoas quadradas e eles não se lembram que o Psycho foi uma rebelião contra o Rockabilly conservador naquela época.

Voltando no tempo, sua primeira banda foi o Taggy Tones? Chegou a gravar algo com eles?
Eu nunca pertenci ao Taggy Tones. Eles eram bons amigos meus, os quais eu ajudei tocando bateria e baixo durante alguns shows. E sim , eu “produzi” a primeira demo deles e fiz alguns backing vocals em algumas faixas.

E depois disso nasceu o Nekromantix, em 1989. Muitas pessoas acham que o primeiro disco, “Hellbound”, tem um papel muito importante para o Psychobilly, com uma nova roupagem, proposta e energia, já que o estilo corria o risco de estagnar ou cair no comum. O que pensa disso?
Eu acredito que éramos parte de uma nova geração que oferecia uma visão diferente do estilo, trazendo inspirações de várias coisas que gostávamos e não somente limitado ao Rockabilly.

Existia uma cena Psycho na Dinamarca quando começaram ou vocês foram os pioneiros?
Haha, não, não havia e continua não havendo cena Psychobilly na Dinamarca.

Daí pra frente Nekromantix se torna rapidamente um grande nome na cena mundial. “Curse Of The Coffin” e “Brough Back To Life” hoje são clássicos absolutos! Três álbuns seguidos e perfeitos, não é para qualquer um…
Uau , obrigado – é engraçado porque esses álbuns quando foram lançados causaram uma reação –“Bem , é legal mas é estranho”- e alguns anos depois os mesmos álbuns viram “clássicos”.

Muitos fãs acham o “Brough Back To Life” o melhor álbum da carreira do Nekromantix. Concorda com isso ou tem um favorito?
Eu acho que depende a quem você pergunta. Eu já ouvi pessoas falando isso sobre todos nossos álbuns. Nossos discos são como nossos filhos, não dá pra dizer que gosto de um mais do que de outro. Como tatuagens, cada um representa e me remete a um certo período da minha vida.

E, mesmo com mudanças na formação, você conseguiu manter a banda sempre com muito sucesso. Qual o segredo disso?
Eu acho que sou um bom empreendedor haha. Não, sinceramente eu acredito que o segredo está em traçar objetivos e no amor pelo que você faz.

Como conheceu os atuais membros da banda?
Eu conheci Franc na “cena” e achei Lux no myspace.

A década de ’90 foi marcada por excelentes bandas, e muitas influenciadas por vocês de alguma forma, comoGodless Wicked Creeps, Asmodeus, Gorilla, Catalépticos, Tiger Army e outras. Você curte essas bandas ou outras da mesma época?
Sim , todas são ótimas bandas e é sempre lisonjeador quando alguém é influenciado pela sua música, continua original e eles seguem no seu próprio estilo.

O que anda ouvindo hoje em dia? Alguma banda nova tem chamado sua atenção?
Eu ouço muitos estilos de música, dependendo do meu humor ou situação. Lá fora tem um bocado de bandas boas e novas.

Tem escutado os últimos lançamentos de bandas clássicas como Meteors, Quakes, Coffin Nails ou Frantic Flintstones?
De fato, eu escuto.

E agora vocês vão tocar no Brasil pela primeira vez! Quais são suas expectativas?
Estou esperando para tocar no Brasil já fazem muitos anos e eu estou feliz que finalmente isso vai acontecer.

Sabia que o “Return Of The Loving Dead” foi lançado no Brasil, faz um tempo?
Não, eu não sabia !?! Você está falando do lançamento oficial ou de um bootleg??

Conhece algo da cena brasileira?
Meu conhecimento da cena Psychobilly brasileira limita-se ao que eu vejo na internet , e pelos fãs que conheço quando viajam para ver nossos shows aqui nos EUA .

Obrigado pela entrevista. Alguma mensagem que gostaria de deixar?
Vocês são sempre bem-vindos e a banda espera ansiosamente para tocar no Brasil finalmente e conhecer nossos fãs que esperaram tanto tempo !
Obrigado, Kim Nekroman.

* Márcio é sócio da loja Combat Rock e escreve no Rockabilly Psychosis blog.

A entrevista foi publicada originalmente no site do festival Psycho Carnival.

Deise Santos

Carioca, jornalista, produtora cultural, baixista e guia de turismo.
Deise Santos é apaixonada por música – principalmente rock e suas vertentes -, literatura, fotografia, cinema, além de colecionadora – contida – de vinis.
Pé no chão e cabeça nas nuvens definem a inquietude de quem está sempre querendo viajar, conhecer pessoas e culturas diferentes.
Idealizadora do Revoluta desde seus ensaios com zines, blogs e informativos, a jornalista tem como característica a persistência em projetos que resolve abraçar.

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