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Segundo Inverno: post punk que move o mundo

A banda paulista Segundo Inverno finalmente lançou seu primeiro CD intitulado “As Coisas Que Movem O Mundo”. Considerada uma das maiores expoentes do post punk punk nacional da atualidade, a Segundo Inverno vem frequentando todo o circuito de casas de shows em SP nos últimos anos sempre em excelentes apresentações e também aumentando a frequência de shows em outros estados, como Paraná e Brasília. Inclusive com várias visitas ao renomado festival “Woodgothic” que acontece  em Minas Gerais. 
A seguir uma exclusiva com os rapazes, que contam tudo a respeito da banda e suas mais recentes novidades!

Por: Márcio Carlos

Poderiam começar fazendo um pequeno resumo da carreira do Segundo Inverno?
Segundo Inverno é uma banda de rock paulistana formada por André Januzzi (bateria), Dennis Monteiro (voz/guitarra), Penna Lopes (baixo) e Renato Andrade (voz/guitarra). O SI tem três EP’s, o primeiro, homônimo de 2009, o segundo “O homem dos olhos cinzas” de 2010 e o terceiro “Faça Algo” de 2013 (os três podem ser encontrados para download na internet). Nosso primeiro disco oficial foi lançado no fim de 2012 com o nome de “As coisas que movem o mundo” em formato SMD. Também participamos de algumas coletâneas que tiveram lançamentos físicos como a “De Profundis III” e “50 tons de ódio”. Somos influenciados pela estética minimalista da música post punk. Nós todos já passamos por outras bandas, como: Persephone Eyes, Days are Nights, Broken Days e Indigesto.

Vocês estão lançando agora o primeiro disco. Falem um pouco a respeito, desde as composições, tempo que levaram para gravar até o lançamento oficial.
Começamos a gravar o nosso CD oficial no segundo semestre de 2010, só conseguimos lançá-lo em 2012. O processo foi bem complicado, como costuma ser para toda banda independente. Durante a gravação tivemos duas mudanças na formação. Regravamos algumas vezes várias músicas até chegarmos às versões definitivas que entraram no álbum. A ideia desse disco era reunir nossas composições desde 2009 quando começamos, mesclando com coisas mais recentes. O CD reúne músicas dos nossos dois primeiros EP’s em novas gravações junto com composições criadas durante 2011 e 2012, basicamente “As coisas que movem o mundo” é um resumo dos três primeiros anos da banda.

“As Coisas Que Movem o Mundo” – o título do CD – pode ter várias interpretações, sem dúvida. E no ponto de vista da Segundo Inverno, qual seria?
Acreditamos que a interpretação é individual, nossas músicas tem um forte apelo existencial, nossas letras são quase sempre em primeira pessoa, abordamos temas e experiências humanas, existe espaço também para críticas sociais e o uso do sarcasmo e do cinismo. Foram dois anos e meio de gravação e produção do disco, todas as nossas experiências pessoais estão registradas lá, exatamente por existir esse apelo introspectivo e pessoal nas nossas músicas seria impossível não imprimir as coisas que acreditamos e que experimentamos no nosso álbum, mesmo que de forma lírica ou subjetiva. Esperamos que cada pessoa que escutar o CD possa se identificar com as coisas que movem seus mundos.

A arte da capa tem ligação com esse título de alguma forma?
Na verdade nos inspirou, mas a capa veio bem antes disso, entre 2008 e 2009 um amigo chamado Bruno Arena Inocêncio, que só conhecemos virtualmente, permitiu que o Dennis usasse uma obra sua em uma de suas bandas. Desde então Dennis guardou a carta na manga, até que em 2011 decidimos usar a imagem, mas nem tínhamos ideia do nome que daríamos pro álbum. A ideia do nome veio em um ensaio quando nosso antigo baixista Carlos Porto sugeriu “as coisas que movem o mundo” gostamos muito do nome!

O disco foi lançado em parceria com diferentes selos e apoios. Essa foi uma forma de viabilizar seu lançamento em tempos que o CD já não vende mais como antes?
Na verdade nosso CD foi uma produção independente, não lançamos por nenhum selo. Produzimos no formato SMD. Como sempre, estávamos num puta aperto, precisávamos de grana para lançá-lo e buscamos apoios de algumas pessoas envolvidas com o meio underground de São Paulo que já tínhamos amizade como a “Loja Ferro Velho”, o “Projeto Via Underground” e o “Projeto Nephilim”, esses nos ajudaram financeiramente com os custos do CD, ainda tivemos um apoio das “Lojas Ferro Velho”, “Baratos e Afins” e “Locomotiva Discos” que vendem nosso material em São Paulo.

E imagino que essa iniciativa é ótima para as pessoas no final, já que ele chega num preço muito acessível (inclusive impresso na capa).
O CD tem encarte 12 por 24 colorido, com todas as letras, apesar de demorado foi como queríamos, apesar da burocracia de ser prensado na Zona Franca de Manaus (risos). Lançamos no formato SMD e eles trabalham com o preço sugerido de R$7 (sete reais) que realmente é um preço acessível a todos, gostamos muito do resultado!

Parece que vocês tiveram problemas com um selo antes disso tudo acontecer, e isso retardou em muito o lançamento do disco. Isso é verdade?
Tivemos alguns problemas com pessoas que prometeram ajuda e no fim atrasaram nosso CD, além de duas mudanças de formação, iríamos lançar através de um selo mas a pessoa que representava o selo não cumpriu com os prazos programados, foi um problema sério. Quando se faz música própria é bem complicado encontrar apoio e ainda temos que passar por situações como essas. Lançamos independentes mesmo e pretendemos continuar assim, não queremos apresentar ao nosso público uma música que foi gravada há um ano, queremos gravar e lançar! Não precisamos dessa burocracia toda.

Voltando ao álbum: as composições são assinadas basicamente pelo Dennis e Renato. Cada um chega com a ideia totalmente pronta ou o restante da banda de alguma forma também participa?
Geralmente chegamos com uma letra pronta, no Segundo Inverno Renato e Dennis escrevem as letras, cada um escreve aquilo que canta. Desde o final de 2012, o André entrou na banda, ele também escreve e em breve teremos musicas com letras dele, mas a parte de composição da música geralmente acontece em conjunto, quase sempre elas partem de algum riff de baixo ou de uma sequência básica de 4 acordes. Mas já escrevemos coisas na hora do ensaio, não temos muita regra pra isso, o importante é liberdade pra criar.

Também se nota a diferença e estilo de cada um na abordagem dos temas escritos, às vezes mais politizados ou introspectivos…
Sobre as letras o Renato escreve algo mais direto, utilizando jogo de palavras, ele tocou em algumas bandas punks e gosta de escrever sobre temas políticos e do dia a dia, misturando um pouco de ironia, afinal tem tudo a ver com o punk, um estilo de vida que sempre será atual! Apesar de algumas pessoas terem parado no tempo. Enquanto o Dennis escreve de forma mais subjetiva e poética… Atualmente as nossas novas composições tem ganhado um cunho social maior! Mas achamos isso muito bom, ter diferentes compositores e diferentes formas de escrever, em uma banda acreditamos ser uma vantagem! Um exemplo clássico no rock nacional é o Titãs nos anos oitenta.

E a repercussão do disco? Como está sendo tanto pelo público quanto pela mídia especializada?
A repercussão tem sido bem tímida por enquanto, nossa maior forma de divulgação até aqui foi quando estivemos no Festival Woodgothic, em São Thomé das Letras (MG), no mês de Junho passado. Lá tivemos um contato maior com o público de outras cidades e estados e fizemos uma boa divulgação do nosso material. Alguns fanzines e mídias virtuais também resenharam nosso CD, como o tradicional fanzine Rock do ABC.

Durante um tempo a banda foi um power-trio, com o uso inclusive de bateria eletrônica. Quando sentiram a necessidade de um baterista “real’’ na banda e o quanto isso influenciou/mudou o a sonoridade da banda tanto em estúdio quanto ao vivo?
No começo achávamos ótimo que algumas pessoas reclamassem e não entendessem a proposta da banda, principalmente alguns que estavam acostumados à santa trindade do rock!!! (risos). Mas penso que a música quando é feita com garra e honestidade não precisa de um padrão para ser seguido. Continuamos usando a velha drum machine. Mas com o tempo precisávamos de um pouco de liberdade para improvisar e o André Januzzi, o novo baterista, também toca guitarra e canta. Ficou bem legal agora, temos mais um vocalista e guitarrista também. Acho que sentimos a necessidade de algo mais direto, mais rústico e orgânico em nossa sonoridade. Pretendemos gravar coisas novas com elementos eletrônicos, o importante é ter mais opções.

A banda é frequentemente rotulada de Post Punk. E escutando o disco percebemos influências diversas, tanto de coisas brasileiras dos anos ‘80 quanto de fora. Quais as inspirações musicais de vocês?
Nossas inspirações são principalmente o Post Punk francês, alemão e inglês, o tradicional Punk Rock, a New Wave, No wave, Cold wave… esses sons minimalistas dos 70 e 80, até mesmo muita coisa da música eletrônica. O post punk que pode ter um monte de sonoridades diferentes, não ficamos presos a um estilo. Então a ideia inicial é tocar uma música meio cavernosa e depois uma música de poucos segundos. Ser agressivo e calmo, este é o Segundo Inverno. Caras que ouvem o “Rudimentary Peni”, “Crass”, “Inca Babies”, “Siekiera”, a boa e velha New Wave, Rock nacional, etc.

A banda vem ganhando nome tocando em todo circuito da cidade de São Paulo e também fora. Vocês notaram o crescimento do público, pessoas estão seguindo vocês regularmente?
Acho que aos poucos muitas pessoas passam a conhecer o nome e ouvir um pouco da nossa banda. Tem um pessoal que acompanha sim e isto é muito bom! Seguimos divulgando o que é um “trabalho de formiga” dentro deste universo com milhares de bandas. Tem muitos lugares que gostaríamos de tocar e muitas publicações e pessoas que estamos tentando “apresentar” a banda que agora em Junho fez 4 anos, e nesse tempo conseguimos tocar em cidades como Curitiba, Brasília, São Thomé das Letras, e algumas cidades do interior de São Paulo.

O Segundo Inverno é um dos destaques frequentes do importante festival “Woodgothic” que acontece todo ano em Minas Gerais. Falem a respeito pra quem ainda não conhece o evento:
O Festival acontece na cidade de São Thomé das Letras, hoje em dia de forma bienal, esse ano foi nossa terceira apresentação nos quatro anos de vida do festival. Apenas não tocamos na primeira edição, em 2008, ainda não existíamos (risos). É um festival independente voltado às diversas vertentes da música darkwave/postpunk e gótica no Brasil. Tocar nesse festival é sempre muito gratificante para nós, podemos fazer contato com pessoas e bandas que tocam pelo Brasil e exterior, pois todo ano o festival leva alguma atração internacional para a cidade.

Quem anda fazendo um trabalho interessante, e que vocês curtem aqui no Brasil?
Para não fugirmos do tema, bandas que tocaram conosco nos últimos anos no Woodgothic, como “Ecos d’alma”, “Poemas de Maio”, “Blue Butterfly”, “Escarlatina Obsessiva”, “Plastique Noir”, “Downward Path”, “Signo XIII”, “Drei Hexen”, “Bells of Soul”, “Glassbox”, não dá pra lembrar de todos, mas são muitos que estão fazendo esse “corre” conosco.

Pensam em licenciar esse disco no exterior e quem sabe fazer shows lá fora um dia?
Quem sabe algum dia surja alguma proposta de algum selo lá fora, na época que o Dennis tinha o selo nós tinhamos maiores contatos com o pessoal que distribui som lá fora, hoje em dia temos bem menos contato, mas nada impede que isso aconteça.

Nesse tempo de estrada, que pontos positivos e negativos destacariam na cena independente nacional?
Pontos negativos eu acredito que todas as bandas já passaram ou ainda vão passar. Do underground ao mainstream. Tivemos de improvisar com o Dennis tocando baixo quando fomos para Curitiba, pois o nosso antigo baixista abandonou o barco um dia antes! (risos). Já ligamos todos os instrumentos em uma única saída de som para que pudéssemos tocar em uma gig no interior. Entre outras roubadas que só a vida de um músico underground pode proporcionar.

E os planos do Segundo Inverno para o futuro?
Estamos divulgando o nosso novo EP “Faça Algo” e também o nosso álbum, estamos envolvidos na produção de dois novos vídeos para o segundo semestre deste ano.

Algo mais que gostariam de acrescentar?
Primeiramente queremos agradecer o espaço e gostaríamos de deixar nossos contatos que são a forma direta de interagir conosco e é sempre nesses “canais” que estaremos divulgando nosso trabalho, são eles:

www.youtube.com/segundoinverno
www.facebook.com/segundoinverno
www.soundcloud.com/segundo-inverno
www.segundoinverno.blogspot.com

E-mail: segundoinverno@gmail.com

Deise Santos

Carioca, jornalista, produtora cultural, baixista e guia de turismo.
Deise Santos é apaixonada por música – principalmente rock e suas vertentes -, literatura, fotografia, cinema, além de colecionadora – contida – de vinis.
Pé no chão e cabeça nas nuvens definem a inquietude de quem está sempre querendo viajar, conhecer pessoas e culturas diferentes.
Idealizadora do Revoluta desde seus ensaios com zines, blogs e informativos, a jornalista tem como característica a persistência em projetos que resolve abraçar.

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