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Entrevista: The Quakes

De volta ao Brasil o maior nome do Psychobilly americano! Após 3 anos – sua passagem por aqui pela primeira vez foi em 2010 – os norte-americanos do The Quakes finalmente retornam ao país para mais uma série de shows em dezembro. Surgidos na década de ’80, em Nova Iorque, a banda tinha como influência principal no início de carreira nomes que trouxeram a música rockabilly novamente às rádios, MTV e paradas de sucesso como os “Stray Cats”, “Rockats” e “The Polecats”. Não encontrando seu espaço na cena local entretanto, pegaram suas coisas todas e rumaram para a Inglaterra, país que sempre recebeu muito bem o estilo rockabilly e onde as bandas conseguiam manter uma carreira com sucesso. Chegando em Londres, acabaram se deparando com uma forte e emergente cena local, com dezenas de bandas e shows sempre lotados, porém uma música um tanto diferente e mais agressiva – inspirada pelo rockabilly ainda – mais também com doses generosas de punk rock e letras cheias de humor negro e ácido, e referências à cultura trash em geral: o Psychobilly! O estilo pegou de cheio os rapazes, que acabaram se envolvendo na cena psycho e rapidamente fizeram seu nome nela, lançando discos que se tornaram grandes clássicos e deixando sua marca e nome na concorrida cena psychobilly Européia da época. Depois disso, ainda lançaram discos no Japão pela Sony Music ( um grande feito para uma banda do estilo!) e conquistaram também a terra do sol nascente com seu som único, que tinha o rockabilly/psychobilly como base é claro, mas também boas influências de new wave, punk rock e o rock dos anos ’80 mais ‘’pop’’, tudo na medida certa. De volta aos States e sua terra natal, a banda finalmente teve seu reconhecimento pelos seus anos de batalha e com status de ‘’cult’’ agora, e sendo apontados por toda geração americana atual de bandas como o grande e mais influente nome do estilo dentro do país. Agora a banda retorna ao Brasil, onde tocou em shows lotados anos atrás, para apresentar suas novidades, sua nova formação e muito mais. Nessa exclusiva, o líder e fundador Paul Roman conta tudo a respeito:

Por Márcio Carlos

Olá Paul! Quais as lembranças mais marcantes da primeira visita ao Brasil, em 2010?
Quando chegamos em 2010 , eu não tinha noções preconcebidas sobre como isso iria ser . Eu não sabia muito sobre o Brasil e fiquei agradavelmente surpreendido! Nós tivemos um grande momento e foi uma das viagens mais memoráveis que tive com The Quakes. O destaque foi no programa de TV com os irmãos Supla e João (Brothers, extinto programa exibido na Rede TV).

Você disse uma vez que dificilmente fica 100% satisfeito após a gravação/lançamento de um novo álbum. Você conseguiu isso com o “Planet Obscure”, o último disco lançado pelo Quakes ?
Este álbum é de quase dois anos atrás e agora estou completamente ‘’saturado’’ dele. Eu acho que há algumas músicas boas lá. Às vezes não sou um bom juiz, de que os fãs vão gostar. Eu só tenho que apenas criar o que sinto no momento e deixar rolar…

Eu acho que é simplesmente mais um grande álbum do Quakes! Variado musicalmente, porém sem perder a essência da banda!
Sim, variado é uma boa palavra para descrevê-lo. Havia algumas músicas lá que eram muito antigas, e que nunca tinha terminado. É uma espécie de compilação das coisas.

Muitas bandas preferem seguir uma ” fórmula ” ao invés de desafiar as coisas com seu trabalho. Isso nunca aconteceu com vocês, e cada disco soa bastante diferente do outro…
Acho que se eu fosse muito bem sucedido com um álbum, a tentação seria para tentar e continuar o som ou a direção … Mas desde que eu não tenho sido (comercialmente) bem sucedido e que eu tenhoa gravadora (o selo que lança os discos do Quakes atualmente é de propriedade do Paul Roman ), eu posso fazer o que eu quero e não importa 🙂 Estou fazendo discos que não estão na minha coleção. Por exemplo, como que os Rockats (outra clássica banda rockabilly americana ) teriam soado se tivessem continuado a lançar discos como (o primeiro disco e considerado o clássico absoluto da banda ) o “Make That Movie” ?

E é perfeitamente possível sentir todas as influências que vão muito além do psychobilly/rockabilly ao longo de toda a carreira da banda…
Eu escuto muitas coisas diferentes e estou sempre tentando encontrar maneiras de fazê-lo soar novo e diferente.

Você ainda curte as bandas que ouvia no início da carreira? O que você tem escutado ultimamente?
Sim e muitas vezes eu volto a ouvir coisas para inspiração. Eu não gosto de dizer o que estou ouvindo , porque pode ser confuso para os fãs. Eles podem dizer: “Por que ele está ouvindo essa porcaria?” 🙂 A música é uma coisa tão pessoal , não há nenhuma razão pela qual você gosta de algo, você só gosta. Eu não quero ser julgado pela música.

De volta para o álbum “Planet Obscure”. Surpreendentemente, e especialmente para nós brasileiros, vocês gravaram uma cover da Xuxa! Alguma razão especial para isso?
Eu não falo português e eu sei que as músicas eram para crianças, mas elas foram escritas por alguns dos melhores (músicos) como Paulo Massadas e Michael Sullivan, Cid Guerreio, Bell Marques e outros músicos muito bem sucedidos. Eu estava ouvindo as melodias e as estruturas das canções. A história completa do por que escolhi a canção e sobre o vídeo que fizemos para ela está no youtube e também a explicação em português, espanhol e inglês, confira em http://www.youtube.com/leedspond.

Como está a formação atual? Tem um novo baixista agora, certo? Vi também que o baterista Juan Carlos saiu por um tempo e acabou voltando para a banda…
A formação atual tem sido boa. Juan está de volta na bateria e Wes Hinshaw no baixo. Wes sempre ensaiava com a gente porque Kenny Colina (ex-baixista) vivia a seis horas de distância.

Vocês têm algum plano para 2014? Talvez um novo álbum ou um DVD, contando toda a história da banda?
Um DVD talvez um dia, mas não no próximo ano. Estou escrevendo novas músicas agora e começaremos a gravar em breve. Não há planos definidos para um álbum, porque eu só quero ocupar meu tempo e ver o que acontece.

E sobre as expectativas para os shows aqui em dezembro?
Estamos trabalhando duro em nosso set-list e vamos tocar material desde o primeiro álbum até o presente. Nós estamos realmente ansiosos por isso. Muito obrigado!

Para saber mais sobre  a banda, clique aqui!

Para saber mais sobre o show que acontecerá em São Paulo, no Inferno Club, clique aqui!

 

Deise Santos

Carioca, jornalista, produtora cultural, baixista e guia de turismo.
Deise Santos é apaixonada por música – principalmente rock e suas vertentes -, literatura, fotografia, cinema, além de colecionadora – contida – de vinis.
Pé no chão e cabeça nas nuvens definem a inquietude de quem está sempre querendo viajar, conhecer pessoas e culturas diferentes.
Idealizadora do Revoluta desde seus ensaios com zines, blogs e informativos, a jornalista tem como característica a persistência em projetos que resolve abraçar.

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