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Corazones Muertos rock’n’roll honesto e direto

Corazones Muertos é uma banda de rock’n’roll no seu melhor espírito: música alta, de qualidade, sem poses, um som honesto e direto! Na estrada há um bom tempo e com origem na Argentina, a banda acabou criando raízes por aqui após uma turnê, onde seu líder e mentor Joe Klenner, resolveu ficar pelo país e reestruturar a banda com alguns ótimos músicos locais.
Lançando seu mais recente álbum “Alive From The Graveyard” , a meta agora é a mesma de sempre: continuar lançando bons discos e tocando em tudo parte a serviço do rockn’n’roll!

Por Márcio Carlos

Corazones Muertos está lançando no momento o CD “Alive From The Graveyard”. Poderiam falar mais a respeito: como foi gravado, tempo de estúdio, selo, composições ?
Flavio: O CD saiu pela Crasso Records, e foi totalmente gravado ao vivo no estúdio Lamparina, sem overdubs. Foi produzido pelo Jeff Molina e por nós e mixado pelo Michel Kuaker no Wah Wah Studios, e a arte da capa e do Kin Noise.
Joe: Algumas músicas do CD são regravações de músicas da fase antiga do Corazones Muertos. Fizemos isso pra mostrar um pouco a pegada que tem a formação atual da banda. Foi gravado do jeito mais simples, todo mundo junto e já era. É exatamente o que você vai escutar em qualquer show nosso, sem mentiras nem truques, nem 50 guitarras gravadas.

E a escolha do título ? Algo relacionado à história da banda ?
Joe: O título tem a ver com a música “Don´t Kill Rock & Roll” e a frase que fala “….I came from the graveyard…where the flies are smoking…”. Tem a ver um pouco com isso, Corazones Muertos ficou enterrado no cemitério por muitos anos, só que estamos mais vivos que nunca.

Escutando o disco achei o resultado sensacional, tanto musicalmente como na qualidade da gravação e tudo mais. Um poderoso disco no melhor espírito do rock’n’roll. O que a banda achou do resultado final? Ficaram totalmente satisfeitos ou faltou algo na opinião de vocês?
Joe: Como disco “ao vivo” esta ótimo, é praticamente a gravação de um ensaio nosso. Tem músicas com vibes e timbres diferentes porque, bom, as horas foram passando e as cervejas fazendo efeito, mas justamente isso era que estávamos procurando mostrar.
A banda soa em cima do palco do mesmo jeito do “ Alive from The Graveyard”, é o reflexo mais fiel do que a banda é hoje em dia ao vivo.
E nunca estamos 100% satisfeitos “ We can´t get no satisfaction”….hahaha.

Junto com o lançamento veio o excelente clipe de “Dont Kill Rock & Roll”. Falem mais a respeito dele (produção) e o porque da escolha desta faixa em especial…
Joe: A produção e direção foi por conta do nosso amigo Ivan Shupikov. Mesmo ele sendo um conhecido e renomado fotógrafo, nunca tinha dirigido um vídeo de uma banda, assim que foi uma experiência muito legal. A gente meio que contou pra ele qual que era a nossa visão para o vídeo, queríamos algo simples, que mostre a banda como ela é realmente. Sem todos esses clichês que envolvem a maioria dos vídeos das bandas de rock & roll: meninas mostrando peitos e garrafas de Jack Daniel´s, poses ridículas. Achamos que nossa música tem mais pra falar do que ficar preenchendo o vídeo com esses clichês mega saturados….
Escolhemos essa faixa porque achamos que foi uma das que melhor ficou a nível de som no disco, a letra reflete bastante a banda….e sei lá….foi por unanimidade, assim que algo ela deve de ter. O povo que segue a gente também curte muito. Simon Chainsaw, uma banda da Australia, já gravou um cover dela no último disco, que até leva o nome da música!

O lançamento foi em CD até o momento, mas parece que existem planos para sair também em vinil, certo ?
Joe: Na verdade esse CD por agora não vai sair em vinil. O que vai sair agora é um compacto 7’ em vinil. Será um split junto com a banda OVERFUZZ de Goiânia. Nesse compacto serão lançadas as versões em estúdio das músicas “All the Things” e “Crown of Thorns”, inclusas no novo CD, só que em versão ao vivo como tinha te falado anteriormente.

E o mercado de vinil parece que vai crescendo aos poucos novamente, o que é ótimo. Para toda banda que toca rock’n’roll ter sua obra lançada nesse formato é algo muito especial, imagino que pensem assim também…
Joe: Sim, a nossa ideia na verdade é daqui pra frente lançar nossas músicas basicamente só em vinil. Mas isso vai depender também das possibilidades econômicas já que é um formato muito caro pra produzir aqui no Brasil. Bem diferente do que acontece na Europa ou nos Estados Unidos, onde o custo x benefício é muito maior.
Mesmo assim pra Março/Abril já esta agendado o lançamento de outro compacto 7”, só que esse vai ser só nosso. O nome desse compacto será “Spikes & Dogs”… As músicas já foram gravadas nos NIMBUS STUDIOS e mixadas pelo Michel Kuaker nos STUDIOS WAH WAH.

E como foi que rolou o contato com o selo Crasso Rec. ?
Joe: Tínhamos uns selos interessados nos Corazones Muertos , e a Crasso Rec. foi a gravadora que melhor se encaixou nas nossas necessidades. É um selo relativamente novo de Ska/Reggae/Punk que apoiam 100% a gente. O Cris Crass, um dos donos da gravadora, também é músico, então facilita muito mais a comunicação entre banda e selo. Ele toca nas bandas Estiletes e Marzella.

– Existem planos de um lançamento do álbum no Exterior também?
Joe: Por agora nós temos planos de lançar uns split vinil 7” com uma banda da Argentina e outra da Inglaterra, mas nada confirmado ainda.
Em 2015 faremos a nossa primeira tour pela Argentina após a banda ter sido reformulada no Brasil.

E já deu para sentir a repercussão entre os fãs da banda e mídia especializada com esse novo disco ?
Joe: Olha, até agora foram só elogios e as reviews que tivemos do disco ao vivo foram bem legais.
Vamos convir que a cena de bandas de rock hoje em dia tá uma bosta… Muito blah blah blah e pouca coisa. Bandas que gastam fortuna gravando discos de milhões de reais e quando depois sobem no palco, dão literalmente vergonha alheia, tá foda. Tem tanta merda dando voltas por aí que pra uma banda com uma proposta legal não tá difícil chamar a atenção. Alguma banda legal vai ter que sair de toda esta bosta pra dar um novo chute na cara do povo, tomara que seja logo!

Recentemente a banda tocou na mesma noite com o CJ Ramone em São Paulo. Como foi a experiência para vocês? Chegaram a presentear ele com o disco da banda, trocar ideias, tomar aquela cerveja ?
Joe: A experiência foi legal… Sei lá… Nada demais. Foi muito legal tocar no mesmo palco com os Garotos Podres e o CJ Ramone. O show dos Garotos Podres foi animal! Me surpreendeu muito mais que o show do CJ que você já tá sabendo exatamente o que vai rolar.
Acho que ninguém da banda chegou a dar o CD pra ele, nessa noite a gente estava ocupado resolvendo burocracias da banda… hahaha.
Já tínhamos curtido uma noite de cervejas e tals com o CJ na festa ‘’ON THE ROCKS’’ da D-Edge onde estávamos fazendo um Corazones Muertos DJ Set , eu e o Flavio. Fazemos isso regularmente nessa festa. Daí o CJ apareceu com outros integrantes da sua banda e ficaram bebendo e dando risadas com a gente na cabine de DJ.

Imagino que já dividiram o palco com outros grandes nomes do rock’n’roll também. Algum show em particular foi mais gratificante para vocês por algum motivo?
Joe: Nós ainda nem tínhamos lançado nosso CD “Alive from The Graveyard” e fomos chamados pra participar do festival ‘’Vaca Amarela’’ em Goiânia. Foi bem legal porque a gente era praticamente desconhecido para público de lá e colocaram a gente pra fechar um dos palcos principais e no outro quem fechava era o Projota.
Outro show muito legal foi um que fizemos com os Black Drawing Chalks no Inferno Club, foi realmente animal.

A banda tem sua origem na Argentina, e seu único membro original hoje em dia é o Joe Klenner. Você pode falar a respeito da época dos Corazones Muertos por lá ?
Joe: A gente começou no ano de 2001 em Buenos Aires. Falar das formações e difícil porque mudou várias vezes, teve umas três formações na Argentina. Lançamos o EP “…No corras más…” em 2001, o single “ Los Perros” em 2002, o disco “Generación Perdida” em 2003 e o split álbum “Rock & Roll Used To Mean Somethin´”com o canadense Neil Leyton.
Também participamos em varias coletâneas internacionais, como “Rock & Roll Salvation Vol. I e II“, junto com bandas como Diamond Dogs, Supersuckers , Sylvain Sylvain ( NY Dolls), The Flaming Sideburns, etc.

E como foi a mudança de país, nova formação, essa experiência toda para você? Algo realmente planejado ou a vida tomou novos rumos?
Joe: Eu não conhecia o Brasil até 2005 que foi a primeira turnê dos Corazones Muertos pelo país. Eu achei tão legal que fiquei apaixonado pelo Brasil que acabei ficando aqui. Não foi nada planejado, simplesmente aconteceu! Já vão fazer 10 anos que estou morando aqui.

E as influências musicais ainda são as mesmas desde o começo da banda? O que curtem hoje em dia?
Joe: As minhas influências são basicamente as mesmas, logicamente que depois de Corazones Muertos ficar 8 anos parados e ter mudado de formação fazem com que a banda tenha outra pegada. A gente bota todas as nossas influências na panela e que seja o que Deus quiser, basicamente é isso. Não nos programamos pra soar parecido a uma ou outra banda, procuramos nossa própria identidade. Já tem bastante banda cover e toda essa bosta pra gente tentar copiar outra banda.
A gente em geral curte muito punk 77, rock & Roll, reggae, e bandas como New York Dolls, Ramones, MC5, Stooges, Rolling Stones, Chuck Berry, Turbonegro, Motorhead, Slayer, Hanoi Rocks, Blondie, Peter Tosh, Marley, Bunny Wailer….tudo que for bom a gente escuta….

A atual formação tem alguns caras vindos de outras bandas bem conhecidas em nosso cenário musical. Todos ainda tem bandas e projetos paralelos ou o Corazones é a única prioridade no momento?
Joe: Corazones Muertos é a nossa prioridade #1 !! Flavio Cavichioli , nosso baterista, tocou nos Forgotten Boys nos melhores anos da carreira da banda. Eu ainda toco o baixo com Daniel Belleza e os Corações em Fúria, mas o Daniel tá com outros projetos também, então a banda está com poucas atividades por enquanto.
Guilherme, o guitarrista da banda, também tem outro projeto, um duo de Blues/Garage….mas não sei o nome da banda. E o Arthur, o baixista de Corazones Muertos, é um mistério, hahahahaha.

E a visão de vocês sobre o atual momento do rock nacional e mercado musical em geral? Tem (novas) bandas que chamaram a atenção, estúdios, bons selos para trabalhar por aqui ?
Joe: Tá uma merda! Uma bosta total. Quando eu cheguei no Brasil tinha uma cena de rock underground muito forte. Era muito legal, depois com os anos lamentavelmente foi mudando até chegar no que é hoje em dia; bandas cover…bandas cover…bandas cover….
Mas sempre tem bandas novas legais surgindo no underground, é só procurar um pouco. Tem Overfuzz e Hellbenders de Goiânia, Veronica Kills, Estiletes, Belfast e Thrills and the Chase de São Paulo. Numa pegada mais hard rock tem a Trezzy e Sioux 66 que são muito profissionais. Tem várias, é só procurar e apoiar elas pra tentar mudar a cena do nosso rock que tá bem carente de coisas boas autorais.
Estúdios pra recomendar eu tenho o NIMBUS na Lapa, que tem um ambiente incrível. E pra produções também o WahWah Studio do Michel Kuaker, ele é um produtor incrível.

Falando em selo independente, o Joe Klenner é dono e mentor do conceituado selo Bourbon Records. Como anda a gravadora no momento? Existem planos para novos lançamentos ?
Joe: Na verdade eu já não estou mais no Bourbon Records, mas eu fui um dos criadores. Eu botei o nome e até fiz o logo na mão na época. Hoje em dia ainda existe como gravadora e estúdio de gravação e produções. Quem dirige isso hoje em dia é o Damian Torrisi, um reconhecido produtor e antigo sócio meu.

Existem planos para uma turnê do Corazones Muertos pelo país? Talvez armar algo também no exterior em um futuro próximo ?
Joe: Corazones Muertos está sempre se apresentando em todos os cantos, é uma turnê interminável e a ideia é continuar assim. Em fevereiro voltaremos a tocar em Goiânia no festival Grito Rock e estamos montando uma turnê na Argentina pra abril 2015.

Sei que as novidades da banda não param por aqui, e deve rolar novos lançamentos em breve. Poderiam adiantar algo a respeito ?
Joe: Lançamos agora em dezembro junto com a Cava Records nosso novo vídeo da música “All the Things”, a versão em estúdio da música que vai sair no Split 7” “Split it Up” no mês de janeiro.
Pra março/abril está marcado o outro lançamento que eu já tinha mencionado, outro 7” de nome “Spikes & Dogs”. A ideia é lançar material e novidades constantemente.

E para quem quer escutar a banda, falar com vocês, entrar em contato, qual a melhor forma ?
Joe:
 A melhor forma hoje em dia é pelo nosso Facebook
Facebook da gravadora Crasso Records
E pra ouvir músicas no nosso SoundCloud
Estamos sempre atualizando nossos sites com novidades e informações sobre a banda!

 

Deise Santos

Carioca, jornalista, produtora cultural, baixista e guia de turismo.
Deise Santos é apaixonada por música – principalmente rock e suas vertentes -, literatura, fotografia, cinema, além de colecionadora – contida – de vinis.
Pé no chão e cabeça nas nuvens definem a inquietude de quem está sempre querendo viajar, conhecer pessoas e culturas diferentes.
Idealizadora do Revoluta desde seus ensaios com zines, blogs e informativos, a jornalista tem como característica a persistência em projetos que resolve abraçar.

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