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Antibanda: dupla uruguaia de punk rock ou seria dupla cidadã do mundo?

Antibanda, dupla de punk rock Uruguaia, está em sua 5ª turnê pelo Brasil e o guitarrista e vocalista da banda, Marcelo Castellanos, concedeu uma breve entrevista para falar a respeito do espírito de liberdade, desprendimento e amor ao punk rock que uniu essa dupla de amigos, que em quase 4 anos de estrada já tocou nas principais cidades de 15  países da América Latina e vivem dentro de uma van. Isso tudo, para que em cada final de semana possam tocar numa cidade diferente.

Por Deise Santos
Fotos de divulgação

 

Como surgiu a ideia de montar uma banda somente com duas pessoas? Ou poderíamos dizer que a Antibanda é uma dupla de punk rock?
Pra gente era muito difícil encontrar pessoas com a nossa forma de ver o punk e a vida. Pessoas amam a liberdade, mas quando eles ficam de frente com a liberdade começam a ter medo do futuro. Nós vivemos em um mundo em que o tempo todo falam que precisamos de um trabalho fixo para pagar a hipoteca de uma casa, de um carro novo do ano e nos mostram a felicidade assim, como escravos do trabalho. Nós jogamos tudo isso, pegamos uma van e saímos a fazer a única coisa nos fazia felizes, que era viajar e tocar punk rock. Não encontramos mais ninguém no Uruguai que tenha gostado dessa ideia, por isso ficamos assim, uma dupla de punk rock.

Essa ideia de colocar a casa na estrada e não só o pé, como costumamos dizer, foi uma necessidade por não ter espaço no Uruguai para tocar? Ou vocês se propuseram a isso para poder viver outras experiências e levar a música de vocês a mais lugares?
Nós entendemos que a cena é mundial, que não existe uma cena local. Toda se alimenta de outra cena. Se não tivesse acontecido o punk no Estados Unidos e na Inglaterra, acho que teria acontecido no resto do mundo. Tudo é parte de uma mesma cadeia. Nós gostamos da vida assim: morar numa van, ter que pegar banho no posto de gasolina, almoçar e jantar no boteco “pé rapado” e fazer show de punk rock cada final de semana em uma cidade diferente do mundo.

Desde que vocês se propuseram a viver o punk de uma forma mais ampla. O que mudou na postura de vocês e o que mudou na música de vocês? Existem composições que surgiram por conta da experiência na constância da estrada?
Mudaram muitas coisas, a mais importante é a visão do punk, cada cidade tem uma forma diferente de ver a música e a forma de “ser” punk. Cada cena, cada cidade é muito diferente da outra e isso faz com que ideias sejam trocadas. Muitos problemas que eu olhava que tinha na cena do Uruguai e não conseguia uma forma de solucionar, eu pude encontrar a solução trocando ideias com pessoas de outras cidades longe de lá.

Como é que é viver o tempo todo juntos? Tendo as rotinas de casa e os shows? A constante mudança de paisagens e ares ajuda pra que tudo fique bem?
Somos bons amigos e parceiros de banda, nós pagamos os custos da turnê com ajudas dos shows, com a venda de camisetas, botons, CDs e artigos da banda. A Camily tem um empreendimento no Uruguai onde ela fabrica essas mesmas coisas pra empresas e outra bandas. Eu tive alugar minha casa e um bar de rock que eu tinha no Uruguai. Todas essas coisas para que possamos morar na estrada o tempo todo.

Por quantas cidades vocês já passaram desde que a banda caiu na estrada?
Cidades já perdemos a conta (risos). Já visitamos as principais cidades de 15 países da América Latina. Fizemos mais de 300 shows desde que a banda se formou há quase 4 anos. No Brasil é a 5ª turnê que fazemos e neste ano de 2015 faremos a América Latina de novo e vamos fazer também alguns países de Europa no final do ano.

O que fez vocês voltarem ao Brasil?
Brasil é a maior cena da América Latina e acho que o idioma deixou o país como uma ilha dentro da cena de fala castelhana da América Latina. Por isso acho que o Brasil conseguiu ter uma personalidade única no som das bandas. Os outros países latinoamericanos tem a referência da Argentina e o Brasil tem mais influência dos EUA, Inglaterra e Europa. E isso faz com que vocês sejam muito diferentes do resto da cena latina. Nós gostamos daqui, tem um clima perfeito pra poder fazer praia e punk ao mesmo tempo.

 

Para conhecer a banda, clique aqui: Facebook ou no Canal do YOUTUBE!

 

Deise Santos

Carioca, jornalista, produtora cultural, baixista e guia de turismo.
Deise Santos é apaixonada por música – principalmente rock e suas vertentes -, literatura, fotografia, cinema, além de colecionadora – contida – de vinis.
Pé no chão e cabeça nas nuvens definem a inquietude de quem está sempre querendo viajar, conhecer pessoas e culturas diferentes.
Idealizadora do Revoluta desde seus ensaios com zines, blogs e informativos, a jornalista tem como característica a persistência em projetos que resolve abraçar.

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