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RAMIREZ LOBO “Zumbis podres e uns intestinos para uma banda de Taiwan e uma boneca voodoo macabra!”

Entrevista por Rafael Yaekashi

1 – Quando cheguei no Brasil vi várias artes de diversos artistas, mas nada me impressionou. Te conheci quando comprou um disco de Gore Grind na minha loja, depois disso resolvi ver seu instagram, foi quando me deparei com o que existe de mais podre e sujo feito com nanquim na face da terra!!! E aí como você está Ramirez Lobo?
Estou bem , obrigado.

2 – Apresentem aos nossos leitores quem é o Lobo Ramirez  e que tipo de arte que faz?
Eu sou um maníaco por coisas podres, heavy metal e filmes trash, história em quadrinhos e pizza.
E faço o tipo de arte que fede sabe? Que é nojenta e podre e que é principalmente sincera, cara.

3 – O que mais gosta de desenhar?
Cara, eu gosto bastante de rabiscar, sujeira mesmo , não precisa ser exatamente zumbis ou qualquer desenho que estaria numa capa de disco de banda goregrind mas uns rabiscos rápidos de loucuras da mente, que depois acabam virando umas pinturas doidas que eu também gosto muito de fazer.

4 – Nos conte sobre seu zine chamado Escrotum. Vende bastante?
Eu sempre li e gostei de quadrinhos mas tinha uma preguiça enorme de fazer um e não sabia muito bem o que fazer, mas quando juntei merda suficiente na cabeça e vontade pra meter o foda-se e fazer mesmo que ninguém goste ou compre, eu fiz. Por sorte achei um imbecil que nem eu que é o Luiz Berger que desenha umas paradas podres também e tem o próprio selo pra lançar quadrinhos (Gordo Seboso) e junto com ele lancei o Escrotum que por sinal não vende bastante porra nenhuma, mas também não fazemos bastante e quando acabar já era.

5 – Seu trabalho é desenhar o dia inteiro? Qual é a maior dificuldade de fazer esses desenhos no Brasil? Existe uma boa aceitação?
Sim, muito bom não acha? haha A maior dificuldade é que ninguém vive no Brasil fazendo apenas capas de bandas podres de death metal e grindcore , não existe uma boa aceitação no geral em se pagar um preço justo por uma arte original seja ela podre ou não. No Brasil temos uma cultura de cópia que destrói tudo que poderia vir a ser criativo, próprio e viável.

6 – Acredito que capas de bandas influenciaram todos esses loucos que desenham hoje. Qual é a sua maior influência?
Cara , com certeza, é impossível estar no meio do metal e hardcore e ignorar as capas, pra mim elas sempre tiveram tanto impacto quanto os sons das bandas, eu diria que as capas clássicas do Slayer, Entombed e Morbid Angel foram grandes influências, mas com o tempo fui conhecendo bandas mais underground e fui curtindo mais os desenhos preto e branco bem sujos mesmo. Acabei vendo que muitas bandas tinham uma arte parecida e aí fui conhecendo os artistas que fazem grande parte dessas artes, como Jeff Gaither, Dennis Dread, Pushead, Putrid Matt.
7 – Fora todos os discos do Impetigo que você comprou na minha loja, o que você escuta quando está rabiscando?
Ainda falta alguns hein!(risos). Cara depende, ultimamente eu tenho escutado muito Autopsy, Inepsy, Blood, Necrophagia, Fastkill e Impaled Nazarene.

8 – Você também toca em uma banda? Fale um pouco da história, discografia, primeiros shows e o que estão preparando!!!
Sim, eu me afundei mesmo nesse mundo da música podre por conta da minha banda Orgasmo de Porco , a banda começou comigo, meu irmão , um amigo da escola e um guitarrista doido que achamos por aí. A gente estava ouvindo muito Thrash Metal e o som da banda acabou indo por esse caminho , mas cara nunca tivemos a pretensão de tocar isso ou aquilo, simplesmente fazíamos o barulho que a gente achava mais insano desse jeito. É claro que influências de hardcore e grindcore acabaram no meio, puro crossover sem se apegar na modinha. A gente sempre tocou em qualquer lugar, o primeiro show foi numa pista de skate na beira da estrada no meio do mato, já tocamos em todo tipo de bar podre e buraco (risos). Desde 2009 a gente lançou respectivamente uma demo “Mosh On Chikeiro”, um split “Cream Cheese” com Lo-fi uma banda de grandes amigos nossos , um ep “CMC”, mais um split “Banana” com nossos amigos da banda Violent Illusion. Nosso primeiro álbum “My Mind Is a mess” e o EP “Useless”. E no momento a banda se encontra compondo o próximo álbum e eu já digo que vai ser mais podre, mais rápido e mais insano que tudo que já fizemos, completamente fora do normal hahaha.

9 – Conte para nós quais foram seus trabalhos mais importantes!
A capa do último álbum do Mukeka di Rato, a camiseta de uma turnê européia do Violator, uma arte para a Revista Prego e para o selo Give Praise Records.

10 – O que você estava desenhando antes de responder essa entrevista?
Uns zumbis podres e uns intestinos para uma banda de Taiwan e uma boneca voodoo macabra pra um doido aqui do Brasil hahaha.

11 – Qual é a banda que você gostaria de fazer a capa do disco!?
Com certeza Impetigo.

12 – Deixe sua mensagem para nossos leitores.
Continuem gozando, crianças.

Contato www.ramirezlobo.com

 

Deise Santos

Carioca, jornalista, produtora cultural, baixista e guia de turismo.
Deise Santos é apaixonada por música – principalmente rock e suas vertentes -, literatura, fotografia, cinema, além de colecionadora – contida – de vinis.
Pé no chão e cabeça nas nuvens definem a inquietude de quem está sempre querendo viajar, conhecer pessoas e culturas diferentes.
Idealizadora do Revoluta desde seus ensaios com zines, blogs e informativos, a jornalista tem como característica a persistência em projetos que resolve abraçar.

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