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Esqueleto psychobilly, pedaços de diversas sonoridades e alma rock ‘n’ roll

Uma das mais ativas e batalhadoras bandas da atual cena under paulistana, o Reverendo Frankenstein – formada apenas em 2012 – conta em seu line-up com músicos experientes e rodados em diversas outras bandas, entre elas nada menos que a lendária Kães Vadius. A vontade de seguir novos rumos e ideias, mas sempre a serviço do bom e velho rock’n’roll, foi o estopim para esse novo projeto. Nessa entrevista exclusiva o guitarrista Alexandre Saldanha conta toda a história e inspiração para começarem esse novo projeto e muito mais!

Por Márcio Carlos

Bom, vamos começar lá pelo início: Quando, como e onde surgiu o Reverendo Frankenstein? E qual foi a inspiração para o nome?
Reverendo Frankenstein começou em abril de 2012. Eu, Felipe e Fabio estávamos insatisfeitos com algumas coisas no Kães Vadius e já vínhamos conversando sobre montar uma outra banda, para aproveitar o bom relacionamento entre nós três e o nosso entrosamento musical. A nossa ideia, desde o início, era não ficar restrito ao psychobilly, já que todo mundo tem várias referências de outros estilos, daí o Fabio surgiu com a ideia do Frankenstein.

A banda sempre teve uma forte conexão com os lendários Kães Vadius. E praticamente são os mesmos músicos tocando nas duas bandas nos últimos anos, certo?
Exatamente, o Reverendo Frankenstein nasceu dentro do Kães Vadius. Durante as “pausas pra fumar”, a gente costumava ficar tocando outras coisas fora do repertório e brincando com ideias de riffs e levadas. Com o tempo, a gente foi amadurecendo a ideia de fazer uma outra banda.

Foi daí que surgiu a vontade – e talvez necessidade – de montar um projeto paralelo e seguir outro caminho? Como foi para vocês conciliar as duas bandas?
Quando o Reverendo começou, eu já tinha saído do Kães Vadius e a banda estava hibernando, então foi bem tranquilo. Mesmo depois, quando a banda voltou, foi fácil conciliar as duas agendas de show, mesmo porque fizemos vários shows juntos.

A banda já teve algumas mudanças em sua formação, principalmente no vocal, correto? Comentem um pouco mais o assunto…
O Reverendo Frankenstein, desde o início, foi uma ideia que nasceu em conjunto entre o Fabio, Felipe e eu. Por vários motivos, os dois primeiros vocalistas não se encaixaram muito no que a gente queria e precisava, então acabaram saindo. Agora, estamos com o M.Krempel há dois anos e as coisas estão evoluindo bem.

Sentem que finalmente agora chegaram a estabilidade que procuravam e essa é a formação ideal?
Essa é a sensação que nós temos. O Matheus nunca teve contato com psychobilly antes de entrar pro Reverendo, então ele não tem alguns vícios de quem já está dentro da cena, o que é ótimo. Ele tem um histórico no punk rock com o The Bombers e traz umas referências que a gente não tem ou com coisas que a gente não se relaciona com tanta frequência, então acrescenta muito à banda. Além disso, ele também toca guitarra, o que faz diferença tanto na composição, quanto nos shows.

E as influências sonoras? Em minha opinião não é tão simples rotular o Reverendo Frankenstein já que é possível notar vários elementos como psychobilly, punk rock, rock’n’roll. Como definiriam o som da banda?
Nós somos um Frankenstein mesmo. Um pouco de psychobilly, um pouco de surf music, um pouco de rockabilly, punk rock, metal… Se reparar bem, você encontra vários desses elementos nas nossas músicas e nos covers que a gente coloca no repertório. Reverendo Frankenstein é uma banda de rock ‘n’ roll Frankenstein!

Outro ponto interessante é que optaram cantar em português. Alguma razão especial? Acham que soa melhor em nosso idioma o tipo de som que fazem?
A gente nunca discutiu muito sobre isso, foi natural. Todo mundo na banda fala português, então é assim que a gente compõe!

E voltando às influências sonoras, vocês poderiam citar suas bandas favoritas tanto as locais e as gringas? E as inspirações para as letras?
Tudo que a gente escuta serve de referência pra gente, mesmo que seja para “o que não fazer”! hahahah A gente gosta muito de Batmobile, Guana Batz, Ramones, Rolling Stones, surf music dos anos 60, Stevie Ray Vaughan, Autoramas, Blind Pigs, Canastra, Sick Sick Sinners, Mullet Monster Mafia.

Em relação aos shows, como estão as coisas atualmente, como os locais para tocar, público, respeito com as bandas em São Paulo? Percebem um cenário favorável ou ainda tem muito que evoluir e melhorar na estrutura toda?
A gente tem percebido a cena psycho diminuindo bastante. Tem um pessoal que sempre vai e um ou outro gato pingado que aparece e acaba voltando. Isso é legal e ajuda a renovar a cena. Outra coisa que a gente sempre tenta fazer é se infiltrar em outras cenas, para mostrar nosso trabalho para um público diferente, que não iria num show de psychobilly, por exemplo.

Quais os picos que mais curtem tocar em São Paulo? E fora do estado também já rolou algumas apresentações, certo?
A gente gosta muito de tocar no Inferno, na Augusta. É uma casa grande, com uma estrutura de primeira e localização ótima. Trackers, no centro de São Paulo, é bem legal também, com uma estrutura bem diferente. Outra coisa que a gente gosta é ir pra outras cidades, onde a gente nunca tocou, mesmo que não seja um público “nosso”. É legal “catequizar” gente nova. A gente fez uns shows bem legais em Curitiba, Belo Horizonte e Santos, por exemplo.

O que tem disponível pra quem quiser escutar e conferir o som de vocês? Planos de lançar um CD e talvez até no formato vinil um dia?
Por enquanto, a gente tem um EP digital lançado em 2014. Ele tem duas músicas – “Lado Escuro” e “A Vingança de Frank”. Esse trabalho está disponível em várias plataformas: iTunesSpotifyVevo, etc. Tem também o nosso SoundCloud onde a gente coloca umas coisas diferentes, gravadas ao vivo e o nosso canal no YouTube, com vários vídeos ao vivo, gravações, ensaios, etc.
No ano passado, a gente participou de algumas coletâneas, inclusive uma em vinil e uma em CD, na Alemanha. Esse ano ainda sai nosso disco físico. A gente já tem várias músicas gravadas e estamos preparando umas novas.

Sei que estão escalados para tocarem em um grande festival que vai rolar em Curitiba em breve, certo? Falem mais a respeito e suas expectativas…
Esse vai ser nosso segundo show em Curitiba. A gente acha que vai ser bem legal. O Curitiba Rock Carnival faz parte da programação paralela do Psycho Carnival, que é um festival bem tradicional na cidade, mas que acontece durante o dia e tem entrada gratuita. Então a gente espera que tenha bastante gente para conhecer nosso som!

É isso! Obrigado pela entrevista! Deixem uma mensagem, contatos, considerações finais pra galera, o espaço é de vocês…
Valeu pelo espaço, Márcio! Fiquem de olho no que acontece com o Reverendo que sempre tem coisa nova rolando.
Nosso e-mail é ReverendoFrankenstein@gmail.com, por esse canal dá pra marcar show, comprar merchandising, mandar fotos, vídeos, recados. Fiquem à vontade!

 

 

Deise Santos

Carioca, jornalista, produtora cultural, baixista e guia de turismo.
Deise Santos é apaixonada por música – principalmente rock e suas vertentes -, literatura, fotografia, cinema, além de colecionadora – contida – de vinis.
Pé no chão e cabeça nas nuvens definem a inquietude de quem está sempre querendo viajar, conhecer pessoas e culturas diferentes.
Idealizadora do Revoluta desde seus ensaios com zines, blogs e informativos, a jornalista tem como característica a persistência em projetos que resolve abraçar.

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