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Letall: comprometimento com a música

Conversamos com Gepeto, vocalista da Letall de São Paulo, banda que conta com ex-integrantes das bandas ET Macaco e Fistt, além do vocalista que divide seu tempo entre esse novo projeto e a Ação Direta.
Com proposta de fazer um som com fortes influências de Punk Rock, Rock and roll, Grunge, Proto-Punk e Hardcore, a banda foi formada em 2014.
Confira nessa entrevista um pouco da história da banda, além de impressões sobre o cenário independente, a oportunidade de participar do projeto Converse Rubber Tracks e os próximos passos desse quarteto.

Por Deise Santos
Fotos de divulgação

A banda é uma junção de músicos que já passaram por outras bandas. O que isso trouxe pra Letall?
Sim , todos já tiveram experiências com outras bandas, experiências boas e ruins também. Musicalmente está sendo muito bom, pois essa junção deixou a banda com uma pegada ímpar! Extremamente original! Também é uma junção de pessoas que estão comprometidas com a música e dando a cara a bater. Isso fortalece muito a LETALL! Trabalhamos duro e de forma organizada e coletiva.

Porque demoraram tanto a colocar um baterista na banda? O ano de 2014 foi um laboratório?
Sim. O ano de 2014 foi um ano de trabalho focado em compor as músicas. Foi o ano que eu e os irmãos Wagner e Gigante demos realmente start, começamos os trabalhos. Como eles são muito bons e ligados em tecnologia, começamos experimentando com batidas programadas. Naquela etapa focamos no trio e assim fomos montando o repertório. Quando essa etapa estava bem adiantada surgiu a vontade e a necessidade do ao vivo! Era a hora de incorporar um baterista. O Filipe estava cru, começando a tocar bateria, mas tinha uma coisa importante: vontade! Achamos issolegal e a banda toda evoluiu muito nesse primeiro ano de shows da tour MÁQUINA DE PROPAGANDA!

Pode-se dizer que foi após a entrada do Filipe na banda que vocês despertaram para gravar um álbum de estreia?
Começamos a ensaiar com o Filipe e logo em seguida ele inscreveu a banda no projeto CONVERSE RUBER TRACKS e conseguiu trazer esse projeto para a LETALL. Ficamos sabendo que a nossa data no estúdio seria dali a 04 meses. Fiquei pensando e acompanhando a nossa evolução como banda, entrosamento e a evolução dele na bateria. Aí tive essa ideia de ao invés de irmos lá e gravarmos uma música, tentar fazer a captação oficial do álbum de estréia, pois estávamos em um estúdio fantástico e com produtores de ponta.
Acabamos gravando 28 takes de 10 músicas. Escolhemos os melhores e trabalhamos em cima deles. Gravamos as vozes na casa do nosso brother Angelo, também técnico de som da AÇÃO DIRETA e o Wagner fez os solos na sua casa através do computador. Ele também fez a mixagem do álbum.

Houve receio da banda ser comparada aos outros projetos os integrantes?
Nenhum! Quando os convidei para o projeto foi para tocar esse estilo de som. Simples, básico e com esses ingredientes particulares que cada um trouxe.

Como foi o processo de composição das letras?
Pesquisas, documentários, livros, reflexões, biografias, artes, experiências pessoais, vida cotidiana. Tudo misturado num caldeirão!
Assim foram surgindo temáticas, palavras, rascunhos, refrões.

Como foi a experiência de gravar os instrumentos do álbum Máquina de Propaganda, ao vivo, no FAMILY MOB STUDIOS?
Foi tudo muito simples e profissional. Clima ótimo! Aí foi só curtir o estúdio, que é de primeira linha. E foi muito prazeroso e importante termos essa oportunidade de ter participado desse maravilhoso projeto CONVERSE RUBBER TRACKS. Os produtores Jean Donabella e André Kbelo são excelentes profissionais e nos ajudaram muito a chegarmos nesse resultado.

A produção do Jean Dolabella (ex-Sepultura) e do André Kbelo trouxe alguma influência? Há algo que foi feito por indicação deles?
Eles foram importantes na parte de timbres, regulagens, captação, microfonação, partes técnicas. Deixaram a banda à vontade para fazermos do nosso jeito. Eles curtiram o som e deixaram rolar. Entenderam a nossa proposta ali.

Como vocês chegaram na fórmula de 10 sons e porque Máquina de Propaganda é o nome do álbum?
Quando chegamos aos 10 sons sentimos que tínhamos o repertório para o álbum completo. E também é importante no sentido de que conseguimos cuidar melhor de cada faixa. O nome MÁQUINA DE PROPAGANDA foi inspirado no documentário “War you dont see”.

Porque vocês decidiram lançar o Máquina de Propaganda por um grupo de selos? Como foi essa negociação?
A gente tava sem grana para prensar, mas querendo muito o álbum físico e não apenas digital. Então apresentamos o projeto aos nossos parceiros que fizeram acontecer. O álbum se espalhou por vários estados diferentes. Agora, via COLD ALONE RECORDS teremos uma versão caprichada em vinil para o álbum.

O álbum foi lançado em 2016, desde o lançamento por quantas cidades a banda já passou? Teve algum show que foi mais especial ou com uma história interessante?
O álbum saiu dia 26.02.2016, numa sexta-feira. Começamos a tour MÁQUINA DE PROPAGANDA no dia seguinte numa cidade do interior de São Paulo chamada Itapetininga. Desde então, foram 22 shows no ano de 2016, passando por Santa Catarina, Minas Gerais, grande São Paulo e interior. Os shows em Minas Gerais e Santa Catarina foram muito bons! E teve um no HANGAR 110 com o STATUES ON FIRE que foi lindo!

Quais as próximas cidades que vocês irão tocar?
Estamos no segundo ano de tour para o álbum e a agenda está muito insana, com mais de 20 shows agendados até junho.

Qual o próximo passo da banda, o que vocês pensam em fazer?
Esse ano temos duas frentes de trabalho. Vamos manter até final do ano a agenda forte na tour MÁQUINA DE PROPAGANDA. Paralelamente a gente vai começar a compor o material do próximo álbum, nosso segundo. Estamos bastante empolgados. Acabamos de fechar uma parceria com o estúdio Rising Power, do nosso irmão André Alvez, pelo selo do nosso batera Filipe, a COLD ALONE RECORDS. Vamos compor o material todo por lá.
Também já estamos pensando no próximo vídeo-clipe. E em breve sairá uma tiragem limitada em versão LP caprichada do MÁQUINA DE PROPAGANDA !

Agora vamos falar um pouco do cenário atual. A internet já faz parte do cotidiano, mas pra você ela é uma grande aliada ou já se tornou uma vilã?
É uma aliada. Fechei 20 shows trabalhando em cima da comunicação rápida, do estudo das logísticas. Estamos em todas as plataformas digitais. Ao mesmo tempo, o álbum está disponível num DIGIPACK lindo, com encarte em formato poster! E em breve em versão LP! Precisamos marcar presença e divulgar nosso trabalho em todos os formatos.

Aproveitando essa citação do material físico. Você não acha que diminuiu o consumo do material físico por conta das plataformas digitais?
Sim, ficou restrito ao pessoal que ainda curte o formato. As novas gerações já trouxeram essa nova forma de ouvir sons, conhecer bandas…

Algumas casas de shows estão fechando suas portas, como é o caso do Hangar110 que anunciou sua última temporada para 2017. Você acha que isso é só uma questão de crise financeira ou realmente as pessoas estão indo menos a shows de bandas locais e nacionais?
Somos um país colônia. A galera tem mentalidade de colônia. Só valorizam coisas gringas. Tem também muito amadorismo das bandas e produtores, a falta de respeito e até de informações às vezes… Enfim, coisas do nosso país. Nossa cena, apesar de ter evoluído muito, ainda é toda sub-dividida e cheia de egos e atrasa lados.
Junta-se a isso os altos custos de logística e a situação política, social e econômica e temos agravantes. Mas eu adotei a seguinte postura e pensamento: ao invés de meter a boca e xingar quem não comparece, não prestigia, eu agradeço imensamente aquelas pessoas que estão presentes.

Deixo o espaço aberto para você deixar uma mensagem:
Valeu Deise pelo apoio e amizade sempre! Quero ver a galera colar nos shows. A tour com certeza vai passar perto de vocês.

Letall é:
Gepeto – Voz
Filipe Freitas – Bateria
Wagner – Guitarra
Gigante – Baixo / Voz

Selos que lançaram a banda:
Cold Alone Records
Distro dos Infernos
Terceiro Mundo Chaos Discos
Xaninho Distro

 

Deise Santos

Carioca, jornalista, produtora cultural, baixista e guia de turismo.
Deise Santos é apaixonada por música – principalmente rock e suas vertentes -, literatura, fotografia, cinema, além de colecionadora – contida – de vinis.
Pé no chão e cabeça nas nuvens definem a inquietude de quem está sempre querendo viajar, conhecer pessoas e culturas diferentes.
Idealizadora do Revoluta desde seus ensaios com zines, blogs e informativos, a jornalista tem como característica a persistência em projetos que resolve abraçar.

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