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Malespero e Nuclear Blood – Split

Malespero & Nuclear Blood – S/T
(Cooperativa de selos – Split CD/2017)

Malespero abre o álbum e em pouco mais de 2 minutos, enquanto a “Intro”, que é instrumental, é executada, um universo com ar sombrio, desesperançoso e cruel, com guitarra arrastada e batidas lentas – do baixo e da bateria -, vai sendo desenhado nas ondas sonoras. E isso se concretiza na sequência, com a chegada do segundo som, “Vazio”, onde um vocal grave se junta à sonoridade sombria com uma letra que versa sobre a decepção de se estar vivo e sem perspectivas de mudança. As letras ácidas e encharcadas de críticas e desesperanças e a sonoridade com traços de punk rock, mas com muita levada crust/d-beat e pitadas de thrash, que acabam dando um pouco mais de velocidade às músicas, dão a essa primeira parte do split um ritmo e um convite inevitável à reflexão. Além de “Vazio”, merece destaque “Cidade depressão”, talvez a mais rápida e agressiva, sonoramente, e que fala sobre um ambiente que muitos de nós nos deparamos, em nossas caminhadas em busca de respostas. A guitarra ora arrastada e pesada, ora acelerada, acompanhada da bateria cadenciada e linhas de baixo pesadas, dão ao vocal o cenário perfeito para versar sobre as mazelas e introspecções que o ser humano vive em tempos atuais.
Passa dos 16 minutos quando a Nuclear Blood chega derrubando a porta com seu metal punk e muita influência de thrash/death metal. Guitarras bem executadas e uma boa sintonia entre baixo e bateria, dão o tom para que as letras com críticas ao capitalismo e ao militarismo, além das prisões sociais às quais os seres humanos são impostos sejam vociferadas pelo vocal. O primeiro som, “Almas Vazias”, vem carregada de pedais duplos de bumbo e uma guitarra que parece anunciar o caos que será descarregado em nosso ouvidos. Além de Almas Vazias, merecem destaque a música “Poço” que fala da violência crescente que nos aprisiona, como num poço e “Nem número, nem sigla”, que nos provoca no sentido de fazermos mais do que se entregar ao sistema imposto a nós.

O split foi lançado por uma cooperativa que contou com 13 selos de cidades do Brasil, Argentina e Chile: Songs for Satan (Belo Horizonte/MG), DNR – Depressive Noise Records (Sâo João Del Rey/MG), No Future Distro(Divinópolis/MG), Permanente Rebeldia (São Paulo/SP), Rapadura Records (São João Del Rei-MG), Ediciones y reediciones Punk Y Anarkia (Argentina), Crust or Die – Collective, Distro & Label (Bahia), Resistência Bestial (São Paulo/SP), Manaós Distro (Manaus/AM), Victha Acthiva (Belo Horizonte/MG), Basura Existencia (Chile), Selo Distro Coletivo Tortura Hardcore Produções (Três Corações/MG) e Produções Marginais (Ouro Preto/MG).
O projeto gráfico é um capítulo à parte. A arte desenvolvida por Junior Cruz dá o tom do conteúdo do álbum, com três figuras públicas repugnantes, como compactuadas para dominar o mundo: Trump, Bolsonaro e Hitler. Qualquer semelhança entre eles, não é MESMO mera coincidência e as letras versam sobre esse ambiente criado por criaturas sombrias como as ilustradas na capa.
No mais é sentar, ouvir esse álbum e refletir sobre o que você está fazendo da sua vida.

 

Por Deise Santos

Deise Santos

Carioca, jornalista, produtora cultural, baixista e guia de turismo.
Deise Santos é apaixonada por música – principalmente rock e suas vertentes -, literatura, fotografia, cinema, além de colecionadora – contida – de vinis.
Pé no chão e cabeça nas nuvens definem a inquietude de quem está sempre querendo viajar, conhecer pessoas e culturas diferentes.
Idealizadora do Revoluta desde seus ensaios com zines, blogs e informativos, a jornalista tem como característica a persistência em projetos que resolve abraçar.

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