You are here
Home > News > Punktoberfest: Punk E Hardcore Na Reta Final Do Hangar 110

Punktoberfest: Punk E Hardcore Na Reta Final Do Hangar 110

Texto por Deise Santos
Fotos por Lucca Del Ciello e Deise Santos

A edição de 2017 do Punktoberfest foi a última sob o teto do Hangar 110, já que a casa de shows encerrará suas atividades este ano. O festival teve aquele tom de despedida, por conta das bandas, com palavras de reconhecimento ao legado que será deixado por esse templo do underground.
Na sexta-feira, dia 13 de outubro, quem abriu os trabalhos do festival foram os sul-mato-grossenses da Xupakabras, com seu hardcore executado com letras recheadas de ironia e referências ao futebol. Entre os sons, tocaram “Dadinho é o caralho, meu nome agora é Zé Pequeno, Porra!”, um cover de Ratos de Porão “Aids Pop Repressão” e encerraram com “Gol de Ouro”, uma música que faz referência à regra do futebol que, em eliminatórias, dava a vitória ao time que fizesse o primeiro gol, após a partida terminar em empate.

Xupakabras – Deise Santos

Na sequência, subiu ao palco os goianenses da banda Señores, um power trio de punk rock, com uma levada 77 e letras encharcadas de comprometimento com lutas sociais. “Lei da gravidade”, “Balões de Ar”, “Ocupem as cidades” que teve a participação especial de Wendel Barros (vocalista da banda Cólera), “Recua a polícia” e “O Operário que não virou presidente”, foram tocadas. Eles também apresentaram uma música nova chamada “Liberdade”, que fala sobre uma experiência na prisão. Tudo isso carregado de muito punk rock que te convidava a pogar sem parar.

Señores – Deise Santos

A próxima a subir ao palco foi a Excluídos, que faz punk rock há quase duas décadas. Com uma pegada mais melódica, a banda descarregou clássicos como “Km 77” e “Novo Início”, para um público que cantou e pogou em todas as músicas.

Excluídos – Deise Santos

Em seguida, Gritando HC subiu ao palco, com o reforço de Edu Nicollini (Nitrominds/Cruel Face), nas baquetas, o que significou mais peso e rapidez aos sons. O show foi carregado de emoção e a banda abriu com “Skate Punk” e seguiu com “Libertar nossas correntes”, “Quero ser punk com você”, “Ande de skate e destrua”. Para encerrar a banda levou dois covers: “Beber até morrer”, do Ratos de Porão e que teve a participação de Renato Lanzia e “Police Man”, da banda Nitrominds.

Gritando HC – Deise Santos

A noite de sexta-feira 13, já estava chegando ao fim e então subiu ao palco a banda Cólera, que dispensa apresentações. A banda já  tocou no Hangar 110 algumas dezenas de vezes e mais uma vez, suas músicas ecoaram por todo o espaço. Entre os sons, “Somos vivos”, “EAEO”, “Medo” e “Pela Paz em todo mundo”, todas cantadas em uníssono pelos presentes.

Cólera – Deise Santos

Noite finalizada em grande estilo e uma pausa de algumas horas para que o segundo dia de festival começasse…
No sábado, a primeira banda a subir ao palco foi Sentimento Carpete, mas só deu tempo de ver as cortinas fechando e fica a dívida de resenhar um show deles em outra oportunidade.
Logo em seguida, subiu ao palco, o quinteto Desacato Civil, que fez um show enérgico com um hardcore pesado e rápido. Entre as músicas executadas estão “Fascistas não passarão!”, “Eu sei que ela destrói” e “Ódio Eterno ao futebol moderno”.

Desacato Civil – Deise Santos

Pausa e sobe ao palco o trio Lomba Raivosa. Humor e crise existencial foram misturados por esse trio e o resultado são músicas bem-humoradas, recheadas de ótimas bases sonoras, que ao vivo se potencializaram. Entre os sons executados “Turbilhão de loucura” e “Marionete de Satã”, foram cantadas pelo público presente, que se divertiu ao som do power trio.

Lomba Raivosa – Deise Santos

E a levada bem humorada continuou, com a subida ao palco dos cariocas da bandas Os Estudantes. O punk rock do quarteto, com a performance sempre peculiar do vocalista Victor Stephan, agradou ao público que acompanhou os sons “Orgia de Sangue”, “Jovem Demais”, “Ódio” e “Angústia”, esta última dedicada ao Kalunga, baixista das bandas Cabeça, Lud Vig e BNegão e os seletores de Frequência, que faleceu no dia 13 de outubro. Show rápido e enérgico, como um show de punk rock deve ser.

Os Estudantes – Lucca Del Ciello

Pausa para respirar e subiu ao palco a Statues On Fire, para executar um hardcore melódico, com uma pegada que lembra muito Nitrominds, a antiga banda do vocalista e guitarrista André Alves e do baixista Lalo Tonus. Eles executaram músicas dos álbuns No Tomorrow e Phoenix.

Statues On Fire – Deise Santos

Mais uma pausa e subiu ao palco o quarteto Agrotóxico. A banda fez um show pesado e acelerado, abrindo com “G7”, seguindo com “Números de Guerra”, “Ateus em Trincheira”, “As ruas são nossas”, “Estado de Guerra Civil” e “À Beira do Caos”. No fim, a banda fez um agradecimento ao público e ao Hangar 110, por todos os anos de apoio ao underground.

Agrotóxico – Lucca Del Ciello

O Punktoberfest mostrou que não há feriado, chuva ou jogo de futebol que faça com que as pessoas desistam de ir a shows, apoiar a cena local e consumir música e cultura. Assim como mostrou que sempre existirão bandas que rodarão kilômetros, pelo simples prazer de tocar e difundir sua ideia aonde alguém estiver disposto a ouvir.
Que venham outras edições, mesmo que não seja no querido Hangar 110, para manter vivo e ativo o cenário independente.

 

Deise Santos

Carioca, jornalista, produtora cultural, baixista e guia de turismo.
Deise Santos é apaixonada por música – principalmente rock e suas vertentes -, literatura, fotografia, cinema, além de colecionadora – contida – de vinis.
Pé no chão e cabeça nas nuvens definem a inquietude de quem está sempre querendo viajar, conhecer pessoas e culturas diferentes.
Idealizadora do Revoluta desde seus ensaios com zines, blogs e informativos, a jornalista tem como característica a persistência em projetos que resolve abraçar.

Top