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Extreme Noise Terror: mais noise do que extremo

Extreme Noise Terror + Uzômi + Manger Cadavre? + Test
(Teatro Odisséia – RJ – 02/11/2017)


Texto por Deise Santos
Fotos por Diego Padilha (I Hate Flash)

Na noite da última quinta-feira, 02 de novembro, o Teatro Odisséia, localizado na Lapa (RJ), recebeu um dos ícones do grind/crust mundial, os ingleses da Extreme Noise Terror, que tocou ao lado das bandas Test, Manger Cadavre? e Uzômi.
Porém a apresentação não foi icônica, por conta da ausência do vocalista Dean Jones, único integrante da formação original e que foi impedido de viajar ao Brasil, atendendo às ordens médicas, por causa de uma crise de labirintite. Esse tipo de situação sempre faz surgir uma interrogação na cabeça do público, que já vai para o show com aquela pré-frustração de não ver, no caso, o frontman da banda e o responsável, digamos assim, pelo “extremo” da banda. Mas também não se pode tirar o mérito da banda, de manter a turnê, até porque o mal foi repentino e Dean Jones foi hospitalizado dois dias antes do primeiro show da turnê brasileira.
Os primeiros a subirem ao palco, foram João Kombi e Barata, o duo Test, de São Paulo, que usualmente deixam o público estupefato com as experimentações sonoras feitas somente com guitarra e bateria, acompanhadas da voz sombria de João. O show do Test é um daqueles momentos para se apreciar, sim música extrema também pode e deve ser apreciada, afinal  o baterista Barata está cada vez mais veloz e preciso em suas baquetadas e João o segue, com variações de velocidade e peso, com sua guitarra. A dupla executou sons dos álbuns Espécies e Arabe Macabre, além de experimentarem algumas músicas novas, que estão em processo de criação e ensaios.
Na sequência, subiu ao palco a Manger Cadavre?, banda com vocal feminino que surpreendeu bastante com um metal/crust bem executado. O show foi bem estruturado, com músicas que foram acompanhadas pelo público que abria rodas de pogo e cantava alguns dos sons executados. O vocal gutural da Nata de Lima surpreendeu pela firmeza e, nos intervalos, a vocalista explicou um pouco sobre as letras e o cunho políticos que as permeiam. Entre os sons, “O Homem de bem”, “Bruxas da Noite” e a cereja do bolo ficou por conta de “When All is Said And Done”, cover do Napalm Death, de quem a vocalista Nata “herdou” os trejeitos de palco de Barney Greenway. Essa foi a primeira passagem da banda pelo Rio de Janeiro e, no público, integrantes da banda Jason (Flock, Panço e Vital) prestigiaram a banda que, segundo a vocalista, foi formada sob influência dos cariocas, o que pode ser considerado um belo batizado, por assim dizer.
Pausa rápida e os cariocas da banda Uzômi invadiram o palco. A apresentação deles sempre é incendiária e como ficou sob a responsabilidade deles deixar o público no ponto para receber os ingleses da Extreme Noise Terror, não decepcionaram. Show conciso e pesado, apesar do som estar alto demais e com o grave explodindo, confirmou o que já vem sendo dito há muito tempo: Uzômi é uma das melhores representantes do crossover nacional. A banda abriu com “For Fun” e emendaram com “O gostinho da sarjeta”, seguindo com diversos clássicos como “Khan Khan”, “Sangue, Sangue” e “Freak Show”. China imprimiu seu peso nas guitarras, trazendo mais agressividade para as músicas e Bruno Borges, que assumiu o baixo há algum tempo, também deu outra vida para as composições da banda, resultando em muito mais velocidade às músicas que foram tocadas uma após a outra, sem pausa. Os vocalistas são uma atração à parte: enquanto Sales quase não se move, ao contribuir com a base vocal das letras, Heron rasga com seu vocal gutural e faz peripécias e acrobacias pelo palco, chegando a levar um tombo, o que lhe rendeu hematomas nas costelas, mostrados no final do show.
O show termina e fica aquele clima de ansiedade, afinal os ingleses da Extreme Noise Terror iriam ocupar o palco em alguns minutos. Casa cheia, público freneticamente preparado pelas bandas de abertura e eis que finalmente o show começa com uma dobradinha de “Punk Rock Patrol” e “Deceived”, o público está receptivo, mas infelizmente o extremo impresso pelo vocalista de Dean Jones faz falta no palco. A banda segue com “Religion is Fear”, “Dogma, Intolerance e Control” e “Carry on Screaming”, com o público pogando e cantando a plenos pulmões, porém o ritmo não é tão explosivo e as pausas entre as músicas dá uma esfriada no público. Para fechar o set, antes do bis, a banda escolheu tocar “Borstal Breakout”,  cover da banda Sham 69. Uma breve pausa, para os ingleses retomarem o fôlego e eles retornaram para executar “Chained & Crazed” e “Pray to be saved”.
Foram menos de 20 sons, numa apresentação que cumpriu o seu papel, mas que infelizmente deixou a desejar, por faltar a energia e empatia por parte da banda, principalmente do vocalista Ben McCrow. No fim ficou a promessa de um retorno em breve, com a presença de Dean Jones. Que a recuperação seja rápida e que os cabelos espetados do Srº Jones retornem aos palcos logo.

 

Deise Santos

Carioca, jornalista, produtora cultural, baixista e guia de turismo.
Deise Santos é apaixonada por música – principalmente rock e suas vertentes -, literatura, fotografia, cinema, além de colecionadora – contida – de vinis.
Pé no chão e cabeça nas nuvens definem a inquietude de quem está sempre querendo viajar, conhecer pessoas e culturas diferentes.
Idealizadora do Revoluta desde seus ensaios com zines, blogs e informativos, a jornalista tem como característica a persistência em projetos que resolve abraçar.

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