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Ataque Periférico – o retorno

A profecia de que em 2012 o mundo acabará pode não ser real, mas que os deuses do rock e suas vertentes tem trabalhado bastante para agradar aos seus discípulos em seus possíveis últimos meses de vida, disso não há dúvidas. Basta ver o calendário de shows nacionais e internacionais que acontecerão esse ano nas principais capitais brasileiras e a notícia da volta ao palco de bandas como a Ataque Periférico, que após quase 3 anos de férias resolveu voltar para onde nunca deveria ter saído: a dobradinha palcos/estradas.
Um bate-papo com Valcimar, vocalista e integrante da formação original da banda, revela o que podemos esperar dessa banda que fez falta em seu período, digamos, de hibernação.

Por Deise Santos

Há quase 3 anos a banda deu até logo aos palcos surpreendendo muita gente que ficou pelo caminho, na sede de ver um show de vocês. O que foi mais difícil? Dar essa pausa ou retomar as atividades da banda?
Foi muito difícil reconhecer que era o momento de dar uma parada, eu estava com minha vida profissional precisando de algumas decisões e tive que tomar para que continuasse no rumo. Eu nunca consegui fazer nada mais ou menos e nesse momento não tinha como me dedicar à banda o quanto ela necessitava de dedicação, com isso resolvi me ausentar, e como os caras acharam que não tinha sentido a banda continuar sem mim, eles decidiram não continuar a banda. Voltar é mais fácil porque é um prazer voltar a tocar né? o sorriso no rosto volta! quando a gente para, ele desaparece!

Mas quando vocês pararam chegou a dar aquele medo de nunca mais voltar a subir num palco com a Ataque Periférico?
Eu preferi que fosse um fim, para que não ficasse uma pressão da volta entende? Melhor acabar do que ficar: ah… Depois a gente volta! Se tivesse que voltar, iríamos voltar, caso contrário não! Como foi o que aconteceu! Começou a dar vontade de tocar de novo, nos falamos e decidimos voltar… Pena que o Rafael não voltou junto!

É, esse desfalque no time não é uma boa notícia, mas será que não há possibilidade do Rafael voltar pra banda?
Como eu disse antes, preferi que fosse um fim! Pra que não rolasse pressão nenhuma para uma volta! Hoje os compromissos dele impossibilitam de estar junto com a gente, tocando, mas como amigo e produtor ele está com a gente firme e forte.

Em contrapartida, o time foi reforçado com a chegada do Thiago Boca (ex-Uzômi, ex-Satangoss), como vocês chegaram a ele?
Eu, Athos e Ricardo estávamos pilhados pra voltar a tocar, só que não conseguíamos imaginar quem poderia entrar na banda e manter o pique! Tentamos o Daniel (Norte Cartel) que de início topou (mais na empolgação), porém pensou melhor e viu que não iria conseguir dar conta por já ter outra banda, trabalho etc. Até que um dia o Boca falando comigo no facebook e eu pensei! PORRA! O Boca ‘tá sem banda e toca pra caralho! Porém um tempo atrás ele tinha reclamado que não queria mais ter banda etc! Lancei o papo de que estávamos voltando, só que sem o Rafael e que estávamos procurando alguém, ele disse que a vaga era dele e que se não fosse iria ficar puto! Ainda fez um lobby próprio! “hoje de manhã eu toquei o disco inteiro do Slayer na guitarra fumando um e tomando café”.

Ele nem deu espaço para que outra pessoa pudesse se candidatar à vaga (risos)
Na verdade, ele é o guitarrista que mais se aproxima (de influência e jeito de tocar) que estávamos procurando! Estava ali na nossa cara! (risos)
Não é mais um muleque, tem experiência e já tocou em outras bandas (todas que somos fãs).

Vamos voltar um pouco no tempo, até pra galera se situar um pouco na historia de vocês… Há mais de uma década vocês lançaram um CD-demo homônimo, com 8 músicas que não totalizavam 10 minutos de um hardcore direto do inferno, como está escrito na capa do CD. Depois disso fizeram turnê na Europa, tocaram ao lado de bandas consagradas, em festivais bacanas pelo Brasil…. Quando vocês montaram a banda, imaginaram que iriam sair da Zona Oeste pra fazer tanto estrago pelo mundo afora?
Olha, vou ser sincero! imaginávamos sim, na verdade nós queríamos! A gente se espelhava em bandas que tinham feito isso! Montamos a banda pra isso! Primeiro ensaio do Ataque Periférico, tentando compor a primeira música ou segunda, não sei! Estávamos sem ideia, a gente lançou pro Ricardo: faz aquela bateria igual o inicio de misantropo a senso unico do Cripple Bastards, foi assim que compomos “Romário Presidente”. Domingo agora iremos tocar com eles em Cascadura!

Na, digamos, primeira fase da banda vocês organizaram muitos shows pela zona oeste e zona norte do Rio de Janeiro, para tocarem e para levar bandas de outros bairros, cidades, estados e até países, para o subúrbio carioca. Há alguma possibilidade de vocês voltarem a fazer isso? E completo a pergunta: Essa produção do show do Cripple Bastards é um “ensaio” para voltar a organizar shows no Rio de Janeiro?
Olha, o único da banda que está na organização desse show sou eu, junto com o Anderson do Deus castiga! Ter aceito organizar esse show foi mais uma forma de retribuir o show que eles organizaram pra gente na Itália e de ter o show aqui no Rio, porque nenhum produtor quis encarar fazer o show deles aqui no Rio na mesma data do show do Anthrax. Se isso vai se tornar um pontapé inicial para futuras produções eu não sei, o sucesso desse show dirá, (risos).

A Ataque Periférico volta num momento em que os shows estão voltando a acontecer com muito mais frequência no Rio de Janeiro. Qual sua opinião sobre o atual cenário underground carioca?
Olha, eu estou bem otimista com relação a isso, essa quantidade de shows de banda grande faz com que anime a galera a tocar e ao publico a ir aos shows! Sem contar que as bandas novas estão muito mais bem preparadas do que a minha geração e a geração anterior, no que se refere a estrutura própria. E o publico também está mais seletivo, não se diverte mais com qualquer merda, o que faz com que as bandas tentem se aprimorar! Acho que esse conjunto de fatores só vai melhorar o todo!

Bom, a banda voltará aos palcos em grande estilo, dividindo o palco com os italianos do Cripple Bastards, além dos cariocas da Deus Castiga e Desistä. Após esse passo, o que podemos esperar de vocês? Disco novo, tour nacional, uma volta ao velho continente? Quais os planos?
No curto prazo, terminar a produção do terceiro disco que deixamos pela metade e tentar nos organizar pra ir ao velho continente novamente, quem sabe em 2013.

Para fechar: vocês ainda acreditam no poder dos CD’s ou a utilização de ipods, mp4’s e demais tecnologias atrapalham as vendas? Com essa “ameaça” de mp3’s é possível que vocês lancem algo em vinil, até mesmo por conta dos planos de ir ao velho continente? Será que teremos uma bolacha da Ataque Periférico?
Olha, uma bolacha do Ataque seria lindo para o nosso prazer! Vou te ser sincero, que a gente ainda não pensou muito nisso! De como vamos lançar nosso próximo material. Creio que as novas tecnologias de propagação musical atrapalham sim a venda de CD’s, mas isso não significa que é algo ruim! A gente precisa de adequar ao rumo das coisas.

Grata pela disponibilidade para bater esse papo na reta final de produção do show de retorno de vocês Valcimar! Deixa um recado para quem passa pelo Revoluta:
Muito obrigado pela força Deise, você é uma das pessoas mais importantes da nossa trajetória como banda, agradecer a atenção de quem leu até o final e falar que estamos felizes de voltar a tocar! E que domingo a porrada vai cantar (sonoramente)! todos lá no show da nossa volta e dos italianos do Cripple Bastards.

Deise Santos

Carioca, jornalista, produtora cultural, baixista e guia de turismo.
Deise Santos é apaixonada por música – principalmente rock e suas vertentes -, literatura, fotografia, cinema, além de colecionadora – contida – de vinis.
Pé no chão e cabeça nas nuvens definem a inquietude de quem está sempre querendo viajar, conhecer pessoas e culturas diferentes.
Idealizadora do Revoluta desde seus ensaios com zines, blogs e informativos, a jornalista tem como característica a persistência em projetos que resolve abraçar.

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