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The Membranes: post punk britânico alto e sujo

Após uma pausa de 25 anos, a banda de post punk britânica “The Membranes” ressurge com o álbum duplo “Dark Matter, dark energy” e com uma agenda recheada de shows por diversas partes da Europa. Conversamos com o vocalista e baixista da banda, o inquieto John Robb, sobre a banda, a participação deles na edição de 20 anos do Rebellion Festival  e uma possível vinda ao Brasil. Além de ser um dos integrantes da formação original da The Membranes, ele formou a banda de punk rock “Goldblade” – quando a The Membranes deu uma pausa – e ainda mantém um site, escreve numa revista e escreve livros. Confiram o bate-papo:

Por Deise Santos
Fotos de divulgação

Você começou a tocar muito cedo. Quais foram as influências para montar uma banda nos idos anos 70? Como era o cenário naquela época?
Começamos a ideia para a banda em 1977 – é claro que era punk rock que nos animava e foi a ideia de que qualquer um poderia fazê-lo – era a nossa oportunidade e fomos para ela. A cena estava realmente emocionante – que fazia você querer fazer alguma coisa. Éramos muito jovens – de 13 a 16 anos e não tínhamos ideia de como fazer música, então nós aprendemos ao longo dos anos! Em 1978 nós tocamos nosso primeiro show e foi ‘incomum’.

Defina incomum. O que estava fora dos parâmetros do que vocês imaginavam ser um show de punk rock?
Pra começar não tínhamos ideia de como tocar! Pensávamos que afinação era colocar as caixas alinhadas. Nunca tínhamos tocado com amplificadores antes – nós éramos punks no sentido real . Nós não aprendemos a tocar covers, fazíamos nossa própria música e assim continuamos. O baixo foi o instrumento chave e nós gostávamos de tocar alto e sujo, e tanto quanto nós amávamos o “Ramones” , queríamos fazer o nosso próprio estilo de punk rock.

E o seu estilo é diversificado. Você toca em duas bandas que fazem parte da cena underground britânica, uma de post punk e outra de punk rock, ambas com influência no cenário musical, tanto que as duas bandas estão na programação da edição de 20 anos do Rebellion Festival, ou seja, quase 40 anos depois de formar a “The Membranes”. Me fale um pouco dessa dupla jornada como músico.
“The Membranes” tocou através dos anos 80 e continuamos tocando cada vez mais alto. Estávamos realmente entre Motörhead e The Stranglers, mas também fazendo nosso próprio estilo de música e nós de alguma forma acabamos em nosso próprio espaço e foi muito emocionante! Ainda estamos fazendo punk rock, sem seguir qualquer tendência. As pessoas me dizem que fomos bastante influentes – bandas como Godflesh nos dizem que eles e outras pessoas que estão na cena nos consideram como a banda que inventou o grindcore – apenas por causa da coisa do ruído que fazemos e Steve Albini disse que fomos uma grande influência para a “Big Black”. É bom ser reconhecido por pessoas que respeitamos. Paramos em 1990 e a “Goldblade” começou logo depois disso – também amamos tocar o punk rock “normal”. Há 5 anos, “The Membranes” foi convidado a tocar com “My Bloody Valentine” em um festival, a banda também nos citou como uma grande influência, o show foi ótimo e após isso passamos a gravar um álbum duplo sobre sexo, universo e morte, que as pessoas realmente gostaram e recebemos ótimas críticas.

Como você consegue manter o ritmo para tocar e cantar em duas bandas? De onde vem tanta inspiração?
Há sempre música e ideias na minha cabeça! No momento eu tenho produzido mais com “The Membranes”. É ótimo tocar baixo, bem como cantar novamente – e com “The Membranes” posso fazer o que quiser, fazemos shows com coros e não obedecemos as regras, é uma ótima música para pular. Eu também escrevo em um website, uma revista e escrevo livros! Por isso estou sempre ocupado!

Produzir um estilo musical próprio, uma identidade própria, no meio de um turbilhão de coisas que aconteciam no final dos anos 70 e início dos anos 80 é um desafio. Como foi sair do usual e comum e fazer um som diferente e que influenciou tanta gente?
É apenas a maneira que nos relacionamos com a música, nós gostamos do som e simplesmente o seguimos. Nós também não aprendemos a tocar música corretamente, fizemos um trabalho com nossos próprios termos, foi o que soou certo para nós!

Você cresceu no subúrbio de Blackpool, como é para você ver um festival como o Rebellion, completar 20 anos no que, podemos dizer ser o quintal da sua casa?
Sim, cresci no Norte da cidade. Quando vivi lá não havia nenhum lugar para tocar. Um festival como o Rebellion teria sido impensável naquela época.

E agora você vai até lá para tocar com as duas bandas em que você toca. Qual a sensação?
É ótimo tocar na cidade de onde você veio! E o Winter Gardens é um ótimo local e o Rebellion é um grande festival, indo de vento em popa e uma prova de que o punk rock cresceu. É também um festival muito amplo, uma celebração de todos os tipos de punk rock.

Você está envolvido com atividades musicais e culturais desde sempre, e acompanhou a mudança na forma de se comunicar e divulgar atividades culturais, música, literatura, etc. Como você vê essas mudanças? O que melhorou com as mudanças tecnológicas e a globalização?
A internet mudou muito – bandas menores podem se comunicar com as pessoas e divulgar suas ideias. Ela fez com que a música em suas micro cenas e todos os estilos possam existir, isso foi bom para o punk rock. O lado negativo da internet é que tudo está tão polarizada – todos amam ou odeiam tudo – cada opinião é agora linha-dura.

John, obrigada pela atenção e por compartilhar um pouco da sua experiência. Gostaria de saber quais as possibilidades dos brasileiros verem um show da “The Membranes” e quem sabe da “Goldblade” também, por aqui?

Nós gostaríamos de ir ao Brasil, nós quase fomos a um par de anos atrás, mas não deu certo no final! Ainda estamos interessados em fazer isso, se você tiver alguma ideia…

Ouça o novo álbum, clicando aqui!


Deise Santos

Carioca, jornalista, produtora cultural, baixista e guia de turismo.
Deise Santos é apaixonada por música – principalmente rock e suas vertentes -, literatura, fotografia, cinema, além de colecionadora – contida – de vinis.
Pé no chão e cabeça nas nuvens definem a inquietude de quem está sempre querendo viajar, conhecer pessoas e culturas diferentes.
Idealizadora do Revoluta desde seus ensaios com zines, blogs e informativos, a jornalista tem como característica a persistência em projetos que resolve abraçar.

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