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Grind contestador e com propósito. ENTENDEU?

“Os perrengues são muitos, mas se eu não

tocar vou fazer o quê? Ir pra balada? “

Entrevista por Rafael Yaekashi

 

1 – Bay area, litoral, Praia Grande, Praia Grind, Long Beach, understood? Entendeu? Nessa entrevista vocês irão conhecer mais sobre essa banda de grindcore!!! E ae Ricardo tudo bem com você?
R: E ae Rafael. Tirando a crise tudo certo e por aí?

2 – Fale um pouco da história da banda, discografia, primeiros shows. E qual é o significado do nome?
R: Vou tentar resumir, rs. Pode-se dizer que este é o segundo Entendeu?. Alguns anos antes de eu convidar o nosso primeiro batera pra montar a banda em 2006, ele tocava e cantava em um power trio de power violence/noise chamado Entendeu?. Porém essa banda nunca gravou nada e fez pouquíssimos shows…sem contar a toskeira que era, rs. Logo quando montei a banda com ele, tocávamos e dividíamos vocal em uns covers, algumas músicas de uma antiga banda minha e do antigo Entendeu?, mas com o tempo fomos deixando de lado. Como estávamos divergindo demais nas ideias para um nome, sugeri esse, pois eu já achava bacana e, sendo ele o criador, aceitaria com mais facilidade. O significado é porque pessoas com gosto musical comum não entendem nada do que é gritado nas letras das bandas de Grind e criam uma imagem distorcida da coisa achando que é sem propósito e feito nas coxas. Como o antigo Entendeu? não deixou nenhum registro oficial e o atual há tempos não toca mais os sons do antigo, considere essa a banda legítima, rs.
Os primeiros shows foram muito toscos, sem ensaio, sem baixista (que demorou muito pra aparecer), instrumento emprestado, microfonias, erros, etc. De 2007 à 2009 gravamos 3 demos: “Entendeu?”, “Matando Emos” e “Praia Grind” somando 19 sons que tocamos até hoje, com exceção de um ou outro e em 2014, já com a formação atual, participamos de um tributo brasileiro ao Agathocles com a música “Dethrone The Tyrants”.

3 – Apresentem aos nossos leitores quem forma o Entendeu? hoje em dia.
R: Desde o início tem o Alex, vulgo Spock, nos vocais e eu, que mudei pra outro Estado em 2009 retornando em 2011, Ricardo na guitarra. E os novos integrantes: Afonso Palmieri nas baquetas e Edu de Campos no baixo

4 – Do que se tratam os temas abordados em suas letras? Como é o processo de composição?
R: A gente aborda tudo que mereça ser questionado ou criticado. Religião, violência, alienação, comportamento de massa, corrupção, etc. Geralmente eu chego com um riff e discutimos as ideias. Alguns mudam pouca coisa, em outros os caras metem bastante o bedelho. Feito isto, o Spock encaixa alguma letra, eu escrevo às vezes também.

5 – Todos os membros da banda têm trabalho ou vivem de música? Qual é a maior dificuldade de se ter uma banda no Brasil?
R: Sim, todos na banda trabalham, porque viver de música no Brasil é muito complicado, principalmente por ser underground e ainda por cima extremo como o Grind. A dificuldade de se ter uma banda de Grind no Brasil é que nunca tá na moda e apesar de eu ter percebido um aumento de gente curtindo, os shows ainda não lotam dependendo da região. Enquanto na Capital é meio que tradicional, aqui no litoral ainda é estranho.

6- Eu gostei muito do show de vocês, som rápido, intenso e com um vocal que me lembrou muito Suffering Mind! O que vocês ouvem atualmente? Quais são as maiores influências?
R: Orra, fico feliz que tenha curtido. O Spock tem ouvido Dead Kennedys, Napalm, Brujeria, Beastie Boys, Beatles, uns grime, uns rap. O Edu tá curtindo um Wolfbrigade, Subtera, Infamous Glory, Voivod. O Afonso tá numa fase mais Ratos, Krisiun, Belphegor e Nile sempre ,rs. Eu tô ouvindo bastante Homicide, Meant to Suffer, Yacopsae, DFC, Hutt, etc.
As influências são variadas. Apesar do foco ser o Grind e o Crossover, a gente gosta muito de HC Old School, alguns NY, Crust, Metal, etc. Podemos citar Napalm, DRI, Slayer, Terrorizer, Ratos, Presto?, Hutt, Lock Up, Suicidal, Municipal Waste, Yacopsae, Cannibal, Chuck Norris, DK, etc..

7- Eu sempre faço essa pergunta, e em cada cena eu acho importante perguntar. E a atual fase do underground brasileiro, o que tem de bom e o que tem de ruim. Há um apoio?
R: Acho que mesmo com a apatia da era digital, a cena ainda anda bastante movimentada, ainda tem acontecido bastante coisa, eventos, bandas novas legais, coletivos, gente querendo fazer acontecer, etc. Mas há a contrapartida do MP3 e o conforto do lar que é uma faca de dois gumes. Todo mundo tem espaço e meios pra fazer um monte de mais do mesmo. Tudo bem que isso é um fenômeno mundial, mas aplicado à realidade daqui o efeito é triplicado.
Não sei se devido a isso, mas muitas bandas clássicas foram vencidas pelo cansaço e desistiram. De qualquer forma tem surgido coisa boa e que persevera mesmo num cenário segregado. Algumas já citei e tem também a galera do Maldita Ambição, Summer Saco, Obitto, Le Mars, NOIA, Coronhada, Test, etc. De ruim não sei, a gente não gosta muito de coisas modernas tipo Metalcore e afins, mas gosto é gosto rs. Pelo menos pra gente no momento, o apoio rola mais por parte dos amigos.

 

8 – Me diga quais são os planos da banda, algum álbum novo ou turnês programadas?
R: Então, há mais de 1 ano chegamos num consenso de se enfurnar nos ensaios pra deixar no ponto os sons novos que pretendemos lançar em um Full Album ainda sem formato definido e talvez no fim desse ano ou início do próximo. Mas como surgiu um convite de um show legal, resolvemos meter as caras e tocar só o que estamos ensaiando, maioria novas, pra não perder o foco. O feedback foi legal tanto externo quanto interno, que decidimos voltar a marcar shows. No momento temos uns 3 marcados e algumas promessas de shows fora da região. Turnê um dia, quem sabe rs. Depois que gravarmos, a ideia é correr atrás de apoio, produzir um merchan decente e continuar na correria sempre trabalhando pra banda se tornar cada vez mais madura, rápida, brutal e profissa… Afinal são quase 10 anos, merece um cuidado mais especial.

9 – Deixe sua mensagem para nossos leitores.
R: Primeiro queria te agradecer em nome da banda pelo interesse no nosso trampo. Os lucros são poucos, os perrengues são muitos, mas se eu não tocar vou fazer o quê, ir pra balada? Depois de tanto tempo com mais baixos do que altos, hiatos, mudanças na formação, adaptação de integrantes, etc continuamos fazendo barulho com uma motivação até maior que no início. Quando só restamos eu e o Spock, quase fizemos show com bateria eletrônica só pra não deixar a banda morrer, mas como não rolou optamos por deixar em stand by até segunda ordem, sem a obrigação de ter que anunciar um fim. Então quem nos acompanha aguarde que o que vier daqui pra frente é com muita honestidade…não que antes não fosse, Entendeu?

 

Para conhecer mais, clique aqui!

Contato: grind_otelo@hotmail.com

Vlw, abraço!

 

 

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Deise Santos

Carioca, jornalista, produtora cultural, baixista e guia de turismo.
Deise Santos é apaixonada por música – principalmente rock e suas vertentes -, literatura, fotografia, cinema, além de colecionadora – contida – de vinis.
Pé no chão e cabeça nas nuvens definem a inquietude de quem está sempre querendo viajar, conhecer pessoas e culturas diferentes.
Idealizadora do Revoluta desde seus ensaios com zines, blogs e informativos, a jornalista tem como característica a persistência em projetos que resolve abraçar.

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